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Espanha crítica Itália por reação a crise em Ceuta: 'Não esteve à altura'

Ministro afirmou que Roma 'não é capaz' de resolver situação em Lampedusa

3 ago 2026 - 08h56
(atualizado às 09h04)
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O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou nesta segunda-feira (3) que a Itália não reagiu "à altura" após a crise migratória em Ceuta, exclave do país ibérico no norte da África.

Imigrantes em rua de Ceuta, exclave espanhol na África
Imigrantes em rua de Ceuta, exclave espanhol na África
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A declaração foi dada em entrevista à emissora pública TVE, na esteira da decisão de Roma de suspender o Acordo de Schengen com Madri por um mês e restabelecer o controle de passaportes para viajantes provenientes da Espanha.

"Houve Estados que não estiveram à altura, houve governos que não estiveram à altura, houve políticos e partidos que também não estiveram à altura. O governo italiano foi um deles", disse Albares.

A Itália foi o país da União Europeia mais crítico à Espanha após a crise migratória em Ceuta, cidade que foi invadida por dezenas de milhares de pessoas provenientes do Marrocos na última quinta-feira (30).

Além da suspensão do Acordo de Schengen, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, insinuou que a emergência no exclave espanhol pode ter sido impulsionada pela decisão de Madri de regularizar a situação de 500 mil imigrantes.

"A diferença entre as políticas de imigração italiana e espanhola é substancial. A Espanha decidiu regularizar meio milhão de imigrantes, e quase 1 milhão de pessoas se candidataram. Na nossa opinião, essa política incentiva a imigração irregular", afirmou Tajani no último fim de semana.

Albares, por sua vez, lembrou que a Itália é o país com "maior número de entradas irregulares" de deslocados internacionais na União Europeia e citou a situação na ilha de Lampedusa, uma das principais portas de entrada para migrantes forçados no bloco.

"A Itália não é capaz de resolver essa situação, muito menos como a Espanha fez. A Itália bem que gostaria de resolver a situação em Lampedusa", declarou o ministro.

Na última quinta-feira, entre 50 mil e 60 mil pessoas provenientes do Marrocos entraram em Ceuta sem autorização, com o objetivo de chegar à Espanha continental e à UE. Segundo Albares, a "imensa maioria" desses indivíduos já foi repatriada. "Até o último que entrou vai voltar ao Marrocos", prometeu.

Na entrevista, o chanceler ainda cobrou solidariedade dos países europeus para lidar com a crise migratória, que será tema de uma reunião ministerial dos 27 Estados-membros nesta terça-feira (4). "Sem solidariedade, não existe Europa", disse.

Ansa - Brasil
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