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Irã nega retomada de negociações com os EUA e desmente Trump, que busca encerrar a guerra

3 ago 2026 - 07h58
(atualizado às 08h01)
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O presidente americano, Donald Trump, em visita a New Jersey neste domingo.
O presidente americano, Donald Trump, em visita a New Jersey neste domingo.
Foto: RFI

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou nesta segunda-feira (3) que não está negociando com os Estados Unidos, desmentindo uma declaração de Donald Trump. O presidente americano havia anunciado a retomada do diálogo com o regime iraniano.

"Atualmente, não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo estreito de Ormuz", declarou o porta-voz do ministério durante entrevista coletiva semanal.

Na véspera, Baghaei já havia mencionado a proximidade de um acordo com Omã para reabrir essa rota crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos. A passagem está bloqueada desde o descumprimento do memorando de entendimento assinado entre Estados Unidos e Irã em junho.

Há alguns dias, Trump já havia ameaçado "atingir duramente" a República Islâmica, antes de recuar mais uma vez e anunciar a suspensão de seus planos de bombardeios em grande escala. "Claro que não querem ser atacados. Eles conheciam a dimensão desse ataque porque o viam tomar forma", declarou no domingo (2) à noite, a bordo do avião presidencial, ao comentar a retomada das negociações.

"O que estamos fazendo agora é conversar com eles em forma de negociação", acrescentou Trump. Segundo ele, as discussões deveriam começar na tarde desta segunda-feira, mas o presidente americano não forneceu mais detalhes.

A guerra de versões tem se repetido nas últimas semanas. Trump, cada vez menos popular nos Estados Unidos, busca uma saída para o conflito, que elevou os preços do petróleo e abalou a economia mundial.

O Irã, que não deseja um retorno à situação anterior à guerra, autoriza, por enquanto, apenas uma única rota ao longo de seu litoral. O sultanato de Omã, que provocou irritação em Teerã em junho ao abrir uma rota alternativa no estreito, não se pronunciou até o momento.

"Estamos prestes a chegar a um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes, nem a rota norte nem a rota sul, respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança", assegurou Esmail Baghaei no domingo.

A situação no estreito de Ormuz continua tensa. Uma explosão próxima a um petroleiro ocorreu entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

"Nova mentira"

Donald Trump havia condicionado a suspensão anunciada dos ataques americanos à rápida conclusão de um acordo com Teerã, especialmente sobre o estreito de Ormuz. O conflito, iniciado no fim de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos contra Teerã, foi parcialmente interrompido em abril, antes de ser retomado no início de julho.

Segundo a imprensa americana, Washington considerava realizar novos bombardeios durante o fim de semana. A CBS News mencionou a possibilidade de ataques contra refinarias de petróleo e usinas elétricas conduzidos por Estados Unidos e Israel, o que representaria uma escalada após dois meses de confrontos.

Trump afirmou ter desistido desse novo ataque a pedido de países da região. Segundo ele, "haverá um acordo sobre Ormuz e depois um acordo sobre a questão nuclear. Poderíamos até falar de desnuclearização do Irã".

O presidente declarou que o pedido partiu da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Catar e do próprio Irã. Teerã também desmentiu essa versão e classificou a declaração como uma "nova mentira" do presidente americano.

Segundo a agência oficial de notícias saudita, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, aliado de Washington na região, telefonou para Donald Trump pedindo que ele "privilegiasse o diálogo para reduzir as tensões".

A guerra se ampliou recentemente com a abertura de uma nova frente no mar Vermelho. Os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram um bloqueio aos portos sauditas e, desde então, reivindicam ataques contra petroleiros e instalações petrolíferas do reino.

Com agências

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