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Itália pede reabertura de caso sobre misterioso desastre aéreo após apoio da França

MP de Roma quer revogar arquivamento de processo sobre 'tragédia de Ustica'

30 set 2026 - 10h39
(atualizado às 11h18)
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Resumo
O Ministério Público de Roma solicitou a reabertura da investigação sobre o desastre aéreo de Ustica, que deixou 81 mortos em 1980, após a França concordar em compartilhar documentos militares do período de 1981 a 1994. A tragédia da companhia Itavia, atribuída pela Justiça a um míssil de origem incerta em meio a suspeitas de envolvimento francês em uma operação contra a Líbia, ganha nova chance de esclarecimento com a cooperação de Paris para elucidar em definitivo as causas da queda do voo.

A disposição das autoridades francesas de colaborar com a Itália na investigação do desastre aéreo de Ustica, que matou 81 pessoas em 1980, levou o Ministério Público de Roma a pedir a revogação do arquivamento do caso.

Segundo o procurador-chefe de Roma, Francesco Lo Voi, a iniciativa francesa "abre um novo caminho e novas perspectivas" para a apuração da tragédia.

O pedido foi apresentado nesta quarta-feira (30) ao juiz de instrução preliminar de Roma, depois de a Embaixada da França comunicar ao Ministério das Relações Exteriores da Itália a intenção de entregar aos arquivos italianos toda a documentação relacionada ao caso. Os documentos abrangem o período de 1981 a 1994.

Durante a audiência, Lo Voi afirmou que o material inclui nove arquivos de computador e dois documentos do Ministério da Defesa francês.

O procurador explicou também que Paris manifestou disposição para reativar a cooperação judicial com a Itália e responder a eventuais novos pedidos de informação.

O juiz de instrução preliminar reservou a decisão sobre o pedido da Procuradoria e afirmou que as partes serão comunicadas posteriormente. No entanto, não foi estabelecido um prazo.

O desastre ocorreu em 27 de junho de 1980, quando a aeronava da extinta companhia aérea italiana Itavia, que fazia a rota entre Bolonha e Palermo, caiu no Mar Tirreno. Todas as 81 pessoas a bordo morreram, incluindo 11 crianças e dois bebês.

O episódio, conhecido na Itália como massacre de Ustica, deu origem a décadas de investigações, processos judiciais e diferentes hipóteses sobre as causas da queda.

Entre as possibilidades investigadas estão uma explosão provocada por uma bomba e a hipótese de que a aeronave tenha sido atingida por um míssil durante uma operação militar. Nesta segunda linha de investigação, um avião líbio teria sido apontado como possível alvo.

Em 2013, a Corte de Cassação concluiu que um míssil de origem desconhecida foi a causa definitiva do desastre. Dez anos mais tarde, o ex-primeiro-ministro italiano Giuliano Amato declarou que um míssil francês estava por trás da misteriosa queda da aeronave.

Segundo Amato, o avião foi atingido durante uma tentativa de assassinar o falecido líder líbio Muammar Gaddafi.

Para Giuliana Cavazza, que perdeu a mãe no desastre e preside a Associação pela Verdade sobre o Desastre Aéreo de Ustica (Avdau), os documentos franceses conhecidos até agora podem não trazer informações inteiramente novas.

Ela afirmou que, inicialmente, as famílias tiveram acesso apenas aos títulos dos documentos e que parte do material parece estar relacionada a informações já obtidas por meio de cartas rogatórias.

Cavazza, no entanto, considerou relevante a disposição da França de responder a novos questionamentos e fornecer documentação adicional, especialmente sobre as investigações relacionadas à hipótese de terrorismo.

O advogado Gregorio Equizi, que representa Cavazza, defendeu que a investigação não seja limitada a uma única hipótese. Para ele, a eventual documentação francesa poderá ajudar a esclarecer diferentes possibilidades sobre o que aconteceu naquela noite.

Em Bolonha, o prefeito Matteo Lepore afirmou que a retomada da investigação representa uma oportunidade para continuar a busca por respostas para as famílias das 81 vítimas.

"Agora, porém, temos de ler os documentos. Este é o passo decisivo", declarou Lepore, acrescentando que espera que a verdade prevaleça sobre eventuais omissões. 

Ansa - Brasil
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