Itália e mais 7 países lamentam sanções e manifestam apoio ao TPI
Declaração conjunta ressalta 'imparcialidade e integridade' do tribunal
Em declaração conjunta, Itália, Alemanha, Canadá, Dinamarca, França, Holanda, Japão e Reino Unido reafirmaram apoio inabalável ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e lamentaram as sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra a corte. Os países alertaram que as medidas de Donald Trump prejudicam as investigações de crimes de guerra e genocídios, enfraquecendo a justiça global, e defenderam a independência da instituição, da qual os norte-americanos não fazem parte.
Os ministros das Relações Exteriores da Itália e de mais sete países divulgaram nesta sexta-feira (9) uma declaração conjunta em que reafirmam seu "apoio contínuo e inabalável" ao Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia e lamentam as sanções dos Estados Unidos contra a corte.
O posicionamento chega após o governo de Donald Trump anunciar que vai aplicar punições contra empresas que prestarem serviços ao TPI, com o objetivo declarado de inviabilizar o trabalho da instituição.
"Nós, Estados-membros do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, reafirmamos nosso contínuo e inabalável apoio à independência, imparcialidade e integridade do TPI. Como convictos defensores da corte, expressamos nosso pesar e nossa firme oposição ao anúncio das sanções que os Estados Unidos pretendem impor", diz o texto, que também é assinado por Alemanha, Canadá, Dinamarca, França, Holanda, Japão e Reino Unido.
Na declaração, os ministros alertam que "tais sanções teriam um impacto significativo sobre a atividade" do tribunal e reiteram o compromisso "de defender o sistema internacional baseado em regras e promover a responsabilização".
O documento também expressa apoio ao pessoal do TPI, que trabalha "todos os dias para levar à Justiça os responsáveis pelos mais graves crimes internacionais e para amparar suas vítimas". "Permanecemos unidos em nosso apoio ao Tribunal Penal Internacional e determinados a levar adiante um diálogo construtivo e inclusivo com os Estados que não são parte do Estatuto de Roma", conclui o documento, em referência velada aos EUA.
O TPI foi fundado em 2002 e tem como objetivo investigar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídios, porém os Estados Unidos não fazem parte do tribunal.
As sanções foram anunciadas horas depois de a jurista sul-africana Navi Pillay, ex-juíza da corte, ser laureada com o Nobel da Paz em 2026, prêmio ambicionado pelo presidente Trump.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.