Itália cobra 'revisão' de regras da UE para enfrentar desafios atuais
Governo de Meloni tem pressionado bloco por maior flexibilidade fiscal
O ministro da Economia da Itália, Giancarlo Giorgetti, afirmou nesta terça-feira (9) que a União Europeia precisa revisar suas regras e estruturas para responder de forma mais eficaz aos desafios do mundo atual.
A declaração foi feita durante a cerimônia de encerramento do ano letivo da Escola de Polícia Financeira.
Segundo Giorgetti, o futuro do bloco europeu dependerá de sua capacidade de evoluir de uma gestão baseada em emergências para uma atuação voltada à condução das transformações econômicas e sociais.
"Não estamos fadados ao fracasso, mas o resultado dependerá da nossa capacidade de transitar de uma Europa que administra emergências para uma Europa capaz de governar a mudança, de transformar crises em oportunidades e, assim, redefinir o nosso futuro", declarou o ministro.
Giorgetti argumentou que os desafios enfrentados pela Europa se tornaram complexos demais para serem solucionados por meio de estruturas antigas que, em sua avaliação, já não correspondem às necessidades atuais.
"A Europa enfrenta desafios complexos, complexos demais para serem abordados com antigas estruturas ideológicas e regras ultrapassadas que claramente precisam ser revisadas para se adequarem melhor aos nossos tempos", afirmou.
Nos últimos meses, Giorgetti e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, pressionaram a Comissão Europeia por maior flexibilidade nas regras fiscais do bloco. O esforço resultou em mudanças que permitem ampliar investimentos em energia, especialmente após a disparada dos preços energéticos decorrente dos conflitos no Oriente Médio.
Durante o discurso, o ministro também defendeu um papel mais ativo da política na definição dos rumos econômicos da Europa.
Para ele, as decisões políticas e democráticas não devem ser subordinadas às dinâmicas dos mercados.
"Este não é o momento para hesitar. É necessária uma mudança de ritmo na Europa. Em primeiro lugar, a política precisa voltar a desempenhar o papel central que lhe é devido", disse.
Giorgetti acrescentou que a política deve estabelecer os parâmetros éticos e sociais que orientam a tomada de decisões, garantindo a proteção dos direitos coletivos e da equidade social.
"As regras dos mercados e da economia não devem ser as que limitam e orientam as escolhas do mundo político e das instituições democráticas. A economia gera progresso e eficiência, mas somente a política pode direcionar esse progresso e essa eficiência rumo à estabilidade e à equidade social", concluiu.
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