Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Israel prende dez suspeitos de ataques de colonos a fotógrafa e diplomatas europeus na Cisjordânia

A polícia de Israel anunciou nesta segunda-feira (19) a prisão de dez suspeitos de participação em ataques de colonos israelenses contra uma fotógrafa americana e uma comitiva de diplomatas europeus em visita à Cisjordânia ocupada. Entre as vítimas está Bernard Baudoux, prefeito da cidade francesa de Aulnoye-Aymeries, que foi agredido durante a ação.

19 out 2026 - 10h35
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
A polícia israelense deteve dez colonos suspeitos de agredir diplomatas europeus e ferir gravemente uma fotógrafa americana na Cisjordânia ocupada. O caso gerou forte condenação da União Europeia e dos EUA, além de críticas da oposição contra a suposta conivência do governo Netanyahu com o extremismo. Apesar das prisões e das promessas de punição, novos confrontos e atos de vandalismo foram registrados na região, onde ataques de colonos raramente resultam em condenações judiciais efetivas.

Michel Paul, correspondente da RFI em Israel, com AFP

Foto de colonos israelenses encapuzados lançando pedras contra palestinos em Sinjil, em 4 de julho de 2025, ilustra a tensão na Cisjordânia ocupada.
Foto de colonos israelenses encapuzados lançando pedras contra palestinos em Sinjil, em 4 de julho de 2025, ilustra a tensão na Cisjordânia ocupada.
Foto: AFP - JOHN WESSELS / RFI

Segundo comunicado da polícia israelense, as detenções ocorreram antes do amanhecer e fazem parte de uma investigação conduzida em cooperação com o Shin Bet, o serviço de segurança interna do país. Os suspeitos foram encaminhados para interrogatório e devem ser apresentados à Justiça ainda nesta segunda-feira. 

No sábado (17), colonos atacaram um comboio de diplomatas europeus que visitava a Cisjordânia ocupada. Durante a ação, Bernard Baudoux, de 78 anos, foi agredido. Um dia antes, a fotógrafa americana Heidi Levine, do Washington Post, havia sido gravemente ferida por colonos enquanto realizava uma reportagem na região. Ela foi hospitalizada com fraturas nas vértebras. 

Apesar das prisões, observadores lembram que casos semelhantes raramente resultam em condenações. Segundo o correspondente daRFI em Jerusalém, Michel Paul, suspeitos detidos em ataques anteriores costumam ser libertados por falta de provas ou de denúncias formais. 

Diante da repercussão internacional dos episódios, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que os responsáveis devem ser punidos por meio de uma "ação policial eficaz", rejeitando o uso da detenção administrativa. Para Katz, as Forças Armadas devem concentrar seus esforços no combate ao terrorismo. 

Novos confrontos

No entanto, a onda de violência prosseguiu na Cisjordânia após as prisões. De acordo com fontes palestinas, moradores da aldeia de Qaryout, próxima a Nablus, ficaram feridos por disparos durante confrontos provocados pela entrada de colonos israelenses na localidade e pela posterior intervenção do Exército. 

Também foram registrados atos de vandalismo e incêndios criminosos nos arredores de Turmus Ayya, no centro da Cisjordânia. 

A violência de colonos contra palestinos se intensificou nos últimos meses e voltou a aumentar durante o período da colheita de azeitonas, uma atividade econômica essencial para muitas comunidades palestinas.

Reações

O chefe da polícia israelense, Danny Levy, afirmou que a legislação será aplicada "a todos, independentemente de identidade ou filiação", e prometeu uma atuação "profissional, justa e imparcial". 

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, classificou as prisões como um "avanço muito positivo" na identificação e responsabilização dos autores da agressão contra Heidi Levine. 

A União Europeia também condenou com veemência o ataque ao comboio diplomático. 

Já o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu saiu em defesa dos colonos após os incidentes, denunciando uma campanha de "difamação". À frente de um governo favorável à expansão dos assentamentos na Cisjordânia, Netanyahu disputa a reeleição nas eleições legislativas marcadas para 27 de outubro. 

Oposição acusa governo de tolerar a violência

A oposição israelense afirmou que os ataques contra cidadãos estrangeiros prejudicam a imagem internacional do país e acusou o governo de permitir a continuidade dessas ações. 

O principal adversário político de Netanyahu, Gadi Eisenkot, classificou os episódios como atos de "terrorismo judaico" praticados "sob os auspícios do governo". 

"Um punhado de criminosos está destruindo o pouco crédito que o Estado de Israel ainda possui", declarou o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. 

Segundo organizações israelenses e palestinas de direitos humanos, ataques cometidos por colonos raramente são levados aos tribunais, o que alimenta uma sensação de impunidade. As agressões incluem espancamentos, apropriação de terras, destruição de plantações, roubo de colheitas e vandalismo contra residências e locais de culto. 

Jornalistas também têm sido alvo frequente desses ataques. No início de outubro, o fotógrafo da AFP Jaafar Ashtiyeh foi espancado por colonos. Em julho, uma equipe da rede americana CNN foi agredida nas proximidades de Ramallah. 

Atualmente, cerca de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia ocupada, considerados ilegais pelo direito internacional, ao lado de aproximadamente três milhões de palestinos. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra