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Israel planeja grande acampamento para palestinos no sul de Gaza, diz general aposentado

27 jan 2026 - 18h41
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Israel liberou um terreno no sul de Gaza para a construção de um acampamento para palestinos potencialmente equipado com tecnologia de vigilância e reconhecimento facial em sua entrada, disse nesta terça-feira um general israelense aposentado que presta consultoria para o Exército.

O brigadeiro-general da reserva aposentado Amir Avivi disse à Reuters em uma entrevista que o acampamento deve ser construído em uma área de Rafah livre de túneis construídos pelo Hamas, com entrada e saída rastreadas pelos israelenses.

Avivi é ‌fundador do influente Fórum de Defesa e Segurança de Israel, um grupo que representa milhares de reservistas militares israelenses. Ele não fala em nome das Forças Armadas de Israel, que não quiseram comentar. O gabinete do primeiro-ministro israelense ‌não forneceu comentários de imediato sobre quaisquer planos de construção de um acampamento em Rafah.

Segundo Avivi, o campo deve ser usado tanto para abrigar palestinos que desejem deixar Gaza e atravessar para o Egito, como aqueles que queiram ficar.

Israel se prepara para uma "reabertura limitada" da passagem de fronteira de Rafah, em Gaza, com o Egito, requisito fundamental do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra em Gaza.

Fontes haviam dito à Reuters neste mês que Israel quer garantir que o número de palestinos que deixam de Gaza seja maior do que os que têm permissão para entrar. Autoridades israelenses já haviam mencionado a intenção de incentivar a emigração dos habitantes ‍de Gaza, embora neguem a intenção de transferir a população à força -- questão altamente sensível para os palestinos.

"Não há habitantes de Gaza, quase nenhum, em Rafah", disse Avivi. A área ficou sob total controle militar israelense após o cessar-fogo entre Israel e o Hamas em outubro, e a maioria dos palestinos fugiu para as áreas controladas pelo Hamas.

"É preciso construir uma infraestrutura em Rafah que possa recebê-los, e então eles poderão escolher se querem ir ou não", disse Avivi.

A estrutura provavelmente deve ser "um acampamento grande e organizado", capaz de receber centenas de milhares de pessoas e pode impor verificações de identidade, ‌incluindo reconhecimento facial.

Em julho, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse à mídia israelense que havia ordenado que as tropas preparassem um acampamento em Rafah ‌para abrigar a população de Gaza. Desde então, autoridades não se manifestaram publicamente sobre esses planos.

Ismail Al-Thawabta, chefe do escritório de mídia do governo de Gaza, administrado pelo Hamas, disse à Reuters em uma declaração que a ideia era uma desculpa para o "deslocamento forçado".

POSSÍVEL RETORNO

Abalados por dois anos de ataques israelenses no enclave, palestinos há muito tempo já enfrentam restrições de movimento e monitoramento de suas atividades online e chamadas telefônicas por agências de vigilância israelenses.

Quase todos os 2 milhões de habitantes de Gaza foram forçados a se concentrar em uma estreita faixa costeira da qual as forças israelenses se retiraram durante o cessar-fogo e onde o Hamas manteve o controle.

O plano de Trump para Gaza, agora em sua segunda fase, exige que a reconstrução de Gaza comece por Rafah e que o Hamas deponha suas armas em troca de novas retiradas das tropas israelenses do território.

Avivi disse que as Forças Armadas de Israel se preparam para uma nova ofensiva contra o Hamas, caso o grupo se recuse a entregar suas armas, que pode incluir o relançamento de ataques à Cidade de Gaza, a maior do enclave.

O campo em Gaza poderia ser usado para abrigar palestinos deslocados por um novo ataque israelense, disse Avivi.

"Os planos estão definidos. O Exército está pronto para receber o comando do governo, do gabinete, para renovar suas manobras em Gaza", disse Avivi.

O Exército de Israel afirma que continua a realizar operações em Gaza desde o cessar-fogo para impedir o que descreve como ataques planejados por militantes e destruir a rede de túneis do Hamas sob Gaza.

Ataques israelenses realizados desde o cessar-fogo mataram mais de 480 palestinos em Gaza, segundo autoridades de saúde locais, enquanto os militares afirmam que quatro soldados foram mortos em ataques de militantes.

Avi Dichter, ministro do gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e ex-chefe do serviço de inteligência interna de Israel, disse que as disputas sobre o desarmamento podem levar Israel de volta à guerra.

"Temos que nos preparar para a guerra em Gaza", disse Dichter à Reuters, acrescentando que a questão do desarmamento "terá que ser resolvida pelas tropas israelenses, da maneira mais difícil".

O Hamas tem se recusado publicamente a entregar suas armas. Duas autoridades do Hamas disseram à Reuters nesta semana que nem Washington nem os mediadores apresentaram ao grupo qualquer proposta detalhada ou concreta de desarmamento.

De acordo com um documento compartilhado pela Casa Branca na semana passada, o governo Trump ‌quer que as armas pesadas sejam desativadas imediatamente, com "armas pessoais registradas e desativadas por setor", à medida que a polícia, sob uma administração tecnocrática interina em Gaza, "se torne capaz de garantir a segurança pessoal".

Trump advertiu repetidamente o Hamas de que ele teria "o inferno para pagar" se não depuser suas armas.

Uma autoridade dos EUA disse nesta terça-feira que o desarmamento poderia vir junto com algum tipo de anistia para membros do Hamas.

Em discurso no Parlamento de Israel na noite de segunda-feira, Netanyahu disse que a próxima fase do cessar-fogo não deve incluir a reconstrução de Gaza.

"A próxima fase é a desmilitarização da Faixa e o desarmamento do Hamas", disse Netanyahu.

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