Israel lança novos ataques contra Irã; Trump adia ultimato contra sistema energético do país
Forças israelenses também anunciaram ter atingido alvos 'ligados aos dispositivos de poder de fogo do regime' no oeste do país
O Exército israelense voltou a atacar a capital iraniana nesta sexta-feira, 27, atingindo locais "usados pelo Irã para produzir armas, principalmente mísseis balísticos". As forças israelenses também anunciaram ter "atingido vários alvos ligados aos dispositivos de poder de fogo do regime" no oeste do Irã, incluindo "lançadores de mísseis e locais de armazenamento".
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A capital libanesa também foi alvo de ofensivas, e explosões foram ouvidas no sul de Beirute, área considerada por Israel um reduto do Hezbollah.
Israel não se manifestou até agora sobre as negociações conduzidas entre Washington e o Irã, mediadas pelo Paquistão, para pôr fim à guerra que teve início em 28 de fevereiro, após o ataque conjunto com os EUA contra o Irã.
A tática israelense do premiê Benjamin Netanyahu, que promove ataques simultâneos no Irã e no Líbano, tem gerado críticas internas.
Segundo o chefe da oposição israelense, Yair Lapid, os combates ocorrem "sem estratégia, os meios necessários e com soldados em número insuficiente". O porta-voz do Exército israelense, Effie Defrin, reconheceu na quinta-feira, 26,que as Forças Armadas de Israel precisavam de reforço.
Nesta sexta-feira, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, também afirmou ter atingido, com mísseis e drones, alvos militares e energéticos em Israel e em países do Golfo que abrigam bases americanas. O principal porto do Kuwait também foi alvo, ao amanhecer, de um ataque de drones "inimigos", que provocou danos materiais.
A ofensiva ao porto de Shuwaikh causou danos materiais, mas não deixou vítimas, informaram as autoridades em um comunicado publicado no X. Segundo o Ministério das Obras Públicas, o porto de Mubarak al-Kabeer, no norte, foi atingido na madrugada de sexta-feira por drones e mísseis que também provocaram danos materiais, mas não deixaram vítimas.
Os países do Golfo vêm sendo alvo de uma campanha de represálias iranianas desde o início da guerra e os disparos — em sua maioria interceptados — são quase diários.
Ataques a hotéis
O Exército iraniano ameaçou nesta sexta-feira atacar hotéis no Oriente Médio que hospedem militares americanos. Quando soldados americanos "entram em um hotel, então, do nosso ponto de vista, esse hotel se torna americano", afirmou na noite de quinta-feira, em rede estatal de TV, o porta-voz das Forças Armadas, Abolfazl Shekarchi.
"Devemos simplesmente ficar de braços cruzados e deixar que os americanos nos ataquem? Quando respondemos, precisamos naturalmente atingir onde eles estão", acrescentou. Na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou militares americanos de usar populações dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) como "escudos humanos".
"Desde o início desta guerra, soldados americanos fugiram das bases militares no CCG para se esconder em hotéis e escritórios", disse ele em mensagem publicada no X, pedindo que hotéis da região recusem as reservas desses militares.
From outset of this war, U.S. soldiers fled military bases in GCC to hide in hotels and offices. They use GCC citizens as human shield.
Hotels in U.S. deny bookings to officers who may endanger customers. GCC hotels should do same. pic.twitter.com/U2U4je0059
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) March 26, 2026
A agência iraniana Fars, citando fontes anônimas, afirmou que o Irã enviou "alertas" a estabelecimentos hoteleiros, especialmente nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein. Segundo a Fars, o Exército iraniano também identificou forças americanas usando locais semelhantes na Síria, no Líbano e no Djibuti.
O Irã acusa países vizinhos do Golfo de permitir que as Forças Armadas dos Estados Unidos lancem ataques a partir de seus territórios. As monarquias da região têm negado repetidamente essas acusações, afirmando que — mesmo antes da guerra em curso — não autorizavam o uso de seus territórios ou espaços aéreos para esse fim.
Trump adia ultimato
O presidente americano, Donald Trump, adiou em dez dias seu ultimato de ataques ao setor energético iraniano e afirmou que as discussões com o Irã "estão indo muito bem".
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou à França nesta sexta para o segundo dia de uma reunião do G7 e deverá pedir maior envolvimento dos líderes do grupo para ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz. Marco Rubio deverá pedir aos ministros alemão, britânico, canadense, francês, italiano e japonês que ajudem Washington na reabertura do Estreito de Ormuz.
O presidente americano ameaçou destruir as centrais elétricas no Irã para forçar o acesso ao Estreito, por onde passa boa parte do comércio mundial de hidrocarbonetos. Mas, "a pedido do governo iraniano", ele adiou seu ultimato "até segunda-feira, 6 de abril, às 20h, hora de Washington", para a destruição das centrais elétricas iranianas.
O anúncio teve efeito nos preços do petróleo, que voltaram a cair nesta sexta-feira. O barril de Brent do Mar do Norte recuava para cerca de US$ 107, mas ainda está 40% acima do valor anterior ao conflito.
Irã teria respondido aos EUA
Segundo Trump, o Irã deixou passar "dez navios" por Ormuz. Há vários dias, o presidente americano alterna entre ameaças de intensificar ataques ao Irã e garantias de que o conflito terminará em breve.
"As discussões continuam e, ao contrário do que dizem os meios de comunicação mentirosos, estão indo muito bem", declarou Trump em sua rede Truth Social.
Teerã se recusa, por enquanto, a usar o termo "discussão". Mas, segundo a agência de notícias Tasnim, o país transmitiu "oficialmente" e "por meio de intermediários" uma resposta ao plano americano, composto de 15 pontos.
O regime iraniano estabeleceu condições para um cessar-fogo e agora aguarda "a resposta da outra parte". Há vários dias, Trump alterna o discurso entre ameaças de intensificar ataques contra o Irã e afirmações de que o conflito vai terminar em breve.
Com agências