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Irã afirma ter atacado base aérea dos EUA na Jordânia; Forças Armadas dos EUA encerram cinco horas de ataques

14 jul 2026 - 05h51
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Uma base aérea dos Estados Unidos na Jordânia foi alvo de mísseis balísticos iranianos nesta terça-feira, ‌informou a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, ao mesmo tempo em que exortou os jordanianos a desmantelarem as bases americanas no reino.

"Vocês sabem muito bem que não só não temos nenhuma inimizade com o seu país, como também amamos vocês, povo nobre, que compreende a dor e a opressão do povo palestino mais do que qualquer outra nação", afirmou a Guarda em comunicado divulgado pela agência de notícias Fars.

As forças armadas da Jordânia informaram na terça-feira que interceptaram e abateram quatro mísseis que entraram no espaço aéreo jordaniano vindos do território iraniano, segundo a agência de notícias estatal.

As ⁠forças americanas concluíram sua mais recente onda de ataques ao Irã, que o Comando Central dos EUA lançou no início do dia sob orientação do presidente Donald ‌Trump.

As cinco horas de ataques dos EUA marcaram a terceira noite consecutiva de ataques contra o Irã, enquanto Trump restabeleceu um bloqueio à navegação iraniana e propôs cobrar uma taxa de 20% para proteger o Estreito de Ormuz.

A mídia iraniana noticiou ataques a várias cidades e informou que ‌quatro pessoas ficaram feridas e que operações de resgate estavam em andamento.

Trump havia dito anteriormente ‌ao programa "Hugh Hewitt Show", na segunda-feira, que o Irã seria atingido "muito duramente esta noite, e vamos atacá-los com força amanhã. E não há ⁠absolutamente nada que eles possam fazer a respeito".

As últimas hostilidades ocorrem depois que o Irã anunciou, no fim de semana, que estava fechando o Estreito de Ormuz, lançando mais dúvidas sobre um acordo provisório para interromper a guerra e elevando os preços do petróleo.

"O Estreito de Ormuz está ABERTO e permanecerá ABERTO, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo O BLOQUEIO IRANIANO", havia dito Trump na segunda-feira no Truth Social.

"Os EUA serão, a partir de agora, conhecidos como 'O GUARDIÃO DO ESTREITO DE HORMUZ', mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados à alíquota de 20% sobre ‌toda a carga transportada."

O alto comando militar conjunto do Irã afirmou que os EUA não tinham papel algum na determinação do futuro da via navegável. O ‌ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, escreveu ⁠no X que Teerã era a guardiã ⁠do estreito e continuaria sendo "para sempre", acrescentando em resposta a Trump: "20% é, obviamente, demais. Seremos justos."

Antes do início do conflito, em fevereiro, cerca de um quinto do ⁠tráfego mundial de petróleo e gás passava diariamente pelo Estreito de Ormuz, levando mais de ‌15 milhões de barris de combustível aos mercados ‌globais, no valor de pelo menos US$1,2 bilhão. Se os EUA impusessem uma taxa de 20%, isso poderia gerar cerca de US$240 milhões por dia.

A agência de navegação da ONU rejeitou a proposta de Trump, afirmando que se opõe a quaisquer taxas para estreitos utilizados na navegação internacional e ressaltando que não há base legal para a introdução de pedágios obrigatórios sobre o tráfego no estreito.

Os preços do ⁠petróleo subiam quase 3% na terça-feira, atingindo o maior nível em quatro semanas, à medida que os EUA restabeleceram seu bloqueio naval ao Irã e os ataques no Estreito de Ormuz aumentaram a incerteza sobre os fluxos de energia.

EMIRADOS ÁRABES DIZEM QUE MÍSSEIS IRANIANOS ATINGIRAM DOIS NAVIOS NO ESTREITO DE HORMUZ

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou na segunda-feira que mísseis de cruzeiro iranianos atingiram dois petroleiros dos Emirados enquanto transitavam pela faixa sul do estreito, em águas territoriais de Omã.

A agência britânica de Operações ‌de Comércio Marítimo (UKMTO na sigla em inglês) informou que um petroleiro foi atingido por um projétil desconhecido enquanto navegava a 40 milhas náuticas a nordeste de Qalhat, em Omã.

A Reuters não conseguiu verificar imediatamente se o relatório da UKMTO se referia ao mesmo incidente relatado pelo Ministério ⁠da Defesa dos Emirados Árabes Unidos.

A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que dois superpetroleiros "infratores" foram atingidos e ficaram inoperantes no estreito após ignorarem repetidas advertências e desligarem seus sistemas de navegação, segundo a mídia iraniana.

O comunicado da Guarda não identificou as embarcações nem informou se eram os mesmos petroleiros citados pelo ministério dos Emirados Árabes Unidos. No entanto, acusou os EUA de "incitar embarcações a utilizar uma rota ilegal" e alertou que a cooperação com o "inimigo agressor" resultaria em danos, atrasos na reabertura da via navegável e uma crise energética global.

O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, informou que um bloqueio ao Irã entraria em vigor nesta terça-feira e se aplicaria a todo o tráfego de embarcações, independentemente da bandeira, abrangendo todo o litoral iraniano, incluindo portos e terminais de petróleo.

O centro afirmou que a medida não impediria a passagem neutra pelo estreito com destino a ou proveniente de locais fora do Irã, e que remessas humanitárias seriam permitidas, sujeitas a inspeção.

Os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e o Irã respondeu com seus próprios ataques contra Israel e os países do Golfo que abrigam bases americanas. Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã e os ataques israelenses ao Líbano durante a guerra mataram milhares de pessoas e deslocaram milhões.

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