Indicado por Trump supera grande obstáculo para se tornar procurador-geral
O senador republicano Bill Cassidy afirmou nesta sexta-feira que apoiará Todd Blanche para o cargo de procurador-geral, abrindo o caminho para o indicado por Donald Trump após semanas de questionamentos sobre a independência do Departamento de Justiça em relação à Casa Branca.
Cassidy surgiu como o provável voto decisivo depois que a senadora republicana Lisa Murkowski, do Alasca, afirmou que se oporia à indicação de Blanche para o cargo mais alto da justiça dos EUA, deixando a indicação à beira do fracasso.
O apoio de Cassidy a Blanche encerrou uma das disputas mais acirradas pelo gabinete do segundo mandato de Trump, depois que preocupações de ambos os partidos quanto à independência de Blanche quase inviabilizaram a indicação.
A decisão foi o desfecho de semanas de negociações entre os republicanos do Senado e o governo Trump sobre Blanche, que atua como procurador-geral interino desde abril e, anteriormente, dirigia as operações cotidianas do Departamento de Justiça como segunda autoridade no órgão.
DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA SOB ESCRUTÍNIO
Sob a liderança de Blanche, o departamento abriu investigações contra críticos de Trump, provocou um êxodo de promotores de carreira e declarou que atua sob a orientação do presidente, rompendo com o que os críticos consideravam normas de independência de longa data.
Cassidy, que representa a Louisiana, criticou o papel de Blanche na resolução do processo movido por Trump contra a Receita Federal, ao conceder imunidade tributária a Trump e às empresas de sua família e criar um fundo de US$1,8 bilhão — agora abandonado — para aliados de Trump, mas afirmou que, no fim das contas, confiava que Blanche prestaria assessoria jurídica sincera ao presidente.
Murkowski havia citado sua falta de confiança em Blanche para "conter os piores impulsos deste governo".
"Discordo da forma como foi conduzida a divulgação dos arquivos de Epstein; das amplas proteções de imunidade concedidas ao presidente, à sua família e às empresas deles; das declarações feitas a grupos antiaborto; e das repetidas perseguições a indivíduos que vão desde ex-funcionários do governo até senadores em exercício", disse Murkowski em uma postagem na plataforma de mídia social X.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a decisão de Murkowski como "decepcionante", mas disse que a Casa Branca não ficou surpresa.
O Departamento de Justiça dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
No mês passado, o Departamento de Justiça afirmou que estava proibido por lei de divulgar arquivos não censurados sobre Jeffrey Epstein solicitados pelo Novo México, o que intensificou uma disputa com autoridades estaduais que investigam o falecido criminoso sexual.
A senadora republicana Susan Collins, do Maine, disse no início desta semana que votaria contra a indicação de Blanche, enquanto um pequeno número de outros senadores também expressou preocupações.
O líder republicano no Senado, John Thune, disse que queria confirmar Blanche antes que a Câmara deixasse Washington para um recesso de um mês, com início previsto para esta semana.
Blanche convenceu os republicanos relutantes John Cornyn e Thom Tillis a apoiá-lo, comprometendo-se por escrito a garantir que o fundo de US$1,8 bilhão de Trump para "combate à instrumentalização" estava encerrado e que um acordo de isenção fiscal relacionado se aplicava apenas a declarações de Imposto de Renda anteriores.
Ambos decorreram de um acordo no processo de US$10 bilhões movido por Trump contra a Receita Federal dos EUA.
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