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Imagens de antes e depois obtidas com satélites mostram devastação deixada pelos terremotos na Venezuela

Imagens de La Guaira, tiradas dias ou semanas antes do desastre, comparadas com as tiradas posteriormente, revelam a magnitude da devastação causada pelos terremotos.

26 jun 2026 - 10h44
(atualizado às 11h04)
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O antes e o depois de um hotel destruído em La Guaira
O antes e o depois de um hotel destruído em La Guaira
Foto: Google/X.com / BBC News Brasil

Uma das áreas mais atingidas pelos dois terremotos consecutivos que abalaram a costa central da Venezuela em 24 de junho (o primeiro de magnitude 7,2 e o segundo de magnitude 7,5), foi La Guaira.

Este estado — localizado em uma estreita faixa de terra entre o Mar do Caribe e as encostas da serra de El Ávila, a apenas 30 quilômetros da capital Caracas — foi declarado zona de desastre devido à extensão da devastação.

Mais de 100 edifícios foram completamente destruídos em La Guaira, segundo uma agência da ONU.

O número foi confirmado pelo vice-presidente para Assuntos Políticos, Segurança Cidadã e Paz, Diosdado Cabello, que acrescentou que mais de 70 mil famílias foram afetadas.

As primeiras imagens de satélite mostram como, onde antes existiam edifícios, restam apenas escombros. Onde antes havia armazéns industriais, agora só são visíveis estruturas deformadas.

Imagens capturadas pela empresa de inteligência geoespacial Vantor revelam a destruição em diversas áreas da cidade costeira de La Guaira.

Prédios e blocos de apartamentos destruídos podem ser vistos na praia de Puerto Viejo e na Playa Grande, uma das praias mais populares do litoral central da Venezuela.

Em Catia La Mar, a cidade mais populosa de La Guaira, com quase 112 mil habitantes, complexos residenciais inteiros jazem agora em meio a escombros, com janelas quebradas e canos expostos.

Enquanto isso, equipes de resgate trabalham contra o tempo em busca de sobreviventes entre as ruínas. Familiares e amigos, desesperados por seus entes queridos desaparecidos, realizam buscas manuais devido à falta de máquinas pesadas e outros equipamentos necessários.

O médico venezuelano Franklin Rodríguez afirmou em entrevista ao programa Today da BBC que a situação enfrentada pelos médicos é desesperadora.

Rodríguez, que normalmente reside em Caracas, mas viajou para a região, descreveu o sistema de saúde como completamente colapsado, observando que os dois principais hospitais do estado estão "totalmente sobrecarregados".

"Há uma grave escassez de medicamentos e suprimentos médicos. Os centros médicos não conseguem atender o enorme número de pessoas, e muitas ainda estão presas sob os escombros", afirmou Rodríguez.

La Guaira é o principal ponto de entrada da Venezuela. Abriga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, que serve Caracas e opera o maior número de voos internacionais.

Além disso, é um dos centros econômicos e turísticos mais importantes do país. A intensa atividade comercial e portuária concentra-se ali, tornando-a um polo fundamental para a nação.

O elevado número de vítimas do terremoto — mais de 500 foram confirmadas até o momento, mas o número final pode ser ainda maior — deve-se não só à magnitude dos dois eventos sísmicos, mas também ao fato de as casas habitadas pela população serem vulneráveis a terremotos, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

A maioria dessas casas é construída com alvenaria de tijolos sem reforço e blocos de adobe.

*Imagens interativas de Lais Alegretti, Daniel Arce-Lopez e Caroline Souza

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