Houthis anunciam bloqueio à navegação israelense no Mar Vermelho
Anúncio ocorre em meio à retomada dos confrontos entre Israel e Irã e aumenta o risco de novas interrupções em rota estratégica para o comércio global
Os rebeldes houthis do Iêmen, grupo apoiado pelo Irã, anunciaram nesta segunda-feira, 8, um ataque com mísseis contra Israel e declararam o bloqueio da navegação israelense no Mar Vermelho. A medida eleva o risco de novas interrupções em uma das rotas marítimas mais importantes do comércio global.
Durante a guerra entre Israel e o Hamas, os houthis realizaram uma série de ataques contra embarcações que cruzavam a região, levando companhias marítimas a redirecionar seus navios para uma rota mais longa ao redor do sul da África.
A nova ameaça ocorre em um momento de crescente tensão no Oriente Médio com a retomada de ataques entre Israel e Irã. O Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o escoamento de petróleo e gás do Golfo Pérsico, permanece bloqueado pelo Irã em meio ao conflito envolvendo Teerã, Israel e os Estados Unidos.
"Declaramos uma proibição completa da navegação israelense no Mar Vermelho", afirmaram os houthis em comunicado divulgado por suas forças armadas.
Segundo o grupo, qualquer embarcação ligada a Israel que circule pela região passará a ser considerada alvo militar legítimo.
Os houthis também afirmaram ter lançado uma "barragem de mísseis" contra alvos israelenses, alegando que os projéteis atingiram seus objetivos. O grupo não anunciava ataques do tipo desde o início do frágil cessar-fogo firmado em 8 de abril.
Mais cedo, as Forças Armadas de Israel informaram, em mensagem publicada no Telegram, que identificaram o lançamento de um míssil a partir do Iêmen e acionaram seus sistemas de defesa aérea para interceptar a ameaça.
A ofensiva ocorreu em meio à troca de ataques entre Israel e Irã, que colocou sob pressão o cessar-fogo em vigor desde abril e reduziu as perspectivas de uma solução diplomática para o conflito.
Israel afirmou neste domingo, 7, que o Irã lançou mísseis contra seu território no primeiro ataque desse tipo desde a entrada em vigor da trégua. A televisão estatal iraniana confirmou os disparos, enquanto explosões foram registradas no norte de Israel. Em resposta, as forças israelenses realizaram ataques no oeste e na região central do Irã.
A escalada ocorreu após Israel bombardear, também no domingo, os subúrbios ao sul de Beirute, reduto do Hezbollah, sem aviso prévio. Teerã havia alertado que responderia à ação. O governo israelense classificou a operação como uma retaliação a disparos feitos pelo Hezbollah contra o norte do país horas antes.
O ataque a Beirute aconteceu poucos dias depois de os governos de Israel e Líbano terem concordado com um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, embora o Hezbollah não tenha aderido formalmente ao acordo.
Os houthis e o Hezbollah, grupo armado sediado no Líbano, integram o chamado "Eixo da Resistência", aliança de organizações apoiadas pelo Irã que se opõem a Israel e aos Estados Unidos.
Os rebeldes controlam grande parte do norte do Iêmen desde 2014, quando tomaram a capital, Sanaa, e derrubaram o governo reconhecido internacionalmente. No ano seguinte, uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita interveio no conflito, desencadeando uma guerra civil que provocou centenas de milhares de mortes, entre vítimas diretas dos combates e consequências indiretas da crise humanitária. /AFP
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