Harvard afasta professor brasileiro detido após disparar arma de chumbinho perto de sinagoga
Caso ocorrido durante o Yom Kippur gerou investigações do FBI e grande repercussão no meio acadêmico e jurídico
Professor Carlos Portugal Gouvêa foi afastado de Harvard após ser detido por disparar arma de chumbinho próximo a uma sinagoga nos EUA; ele alegou tentar eliminar ratos, e o FBI investiga o caso.
O professor Carlos Portugal Gouvêa, docente da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e professor visitante em Harvard, foi afastado da instituição norte-americana, após ser detido pela polícia de Brookline, em Massachusetts (EUA). Ele foi flagrado disparando uma arma de chumbinho nas proximidades da sinagoga Beth Zion, na última quarta-feira, 1º.
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O episódio gerou grande repercussão no meio acadêmico e jurídico, já que Gouvêa é um nome reconhecido por sua atuação em temas de ética, governança corporativa e sustentabilidade.
De acordo com o portal Brookline.news, funcionários da sinagoga acionaram a polícia ao perceberem que o professor mirava em direção ao prédio, o que causou pânico entre os presentes. O caso ocorreu durante o feriado judaico de Yom Kippur, considerado o mais sagrado do calendário judaico. O FBI acompanha as investigações, mas representantes do templo afirmaram que "não parece ter sido um ato motivado por antissemitismo".
Aos agentes, Gouvêa alegou que atirava em ratos que infestavam a área próxima à sua residência, vizinha à sinagoga. Ele foi conduzido à delegacia, onde prestou depoimento, e foi liberado em seguida. Ninguém ficou ferido, mas um dos disparos teria atingido a janela de um carro estacionado. Após o incidente, Harvard colocou o professor em licença administrativa enquanto o caso é apurado, de acordo com o jornal O Globo.
A sinagoga Beth Zion divulgou uma nota agradecendo à comunidade pela calma durante o episódio. "Foi extremamente importante que as centenas de membros presentes mantivessem a serenidade e permanecessem no santuário durante todo o incidente", afirmaram os representantes Larry Kraus e Benjamin Maron.
O professor, que é doutor em Direito por Harvard e livre-docente pela USP, também preside o IDGlobal, centro de estudos voltado a temas socioambientais, e faz parte do Fórum Nacional das Ações Coletivas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele foi formalmente acusado de disparo ilegal de arma de chumbo, conduta desordeira, perturbação da paz e vandalismo de propriedade.
Até o momento, Harvard não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Gouvêa não foi localizado pela reportagem para comentar.
Em nota, a USP disse que o episódio "ganhou dimensões desproporcionais em razão de, supostamente, ter conotações antissemitas". "Em primeiro lugar, destaque-se que a Sinagoga vizinha à sua casa, relacionada ao incidente de segurança, divulgou nota pública afastando, por completo, ter se tratado de ocorrência antissemita. Além disso, o professor tem afinidades, inclusive laços familiares, com a comunidade judaica".
A universidade também pontua que Portugal Gouvêa "possui histórico posicionamento em defesa dos Direitos Humanos". "O professor tem atividade acadêmica pautada pela competência técnica, dedicação à docência e à pesquisa e elevado profissionalismo. Por tudo isso, a Faculdade de Direito da USP repudia as insinuações maldosas e distorcidas lançadas contra o seu docente, Professor Carlos Pagano Botana Portugal Gouvêa".