Guerra no Oriente Médio se alastra e chega ao Líbano
Bombardeios israelenses em resposta ao Hezbollah mataram mais de 30 pessoas
A guerra no Oriente Médio entrou nesta segunda-feira (2) em seu terceiro dia e se expandiu para o Líbano, onde bombardeios israelenses em retaliação a ataques do Hezbollah deixaram mais de 30 mortos.
Enquanto segue a troca de hostilidades entre Israel e Estados Unidos, de um lado, e Irã, do outro, o grupo xiita libanês lançou mísseis e drones contra o país judeu, em represália pelo assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no último sábado (28).
O aiatolá comandou o Irã por quase 40 anos e foi o grande responsável pelo apoio financeiro e militar de Teerã ao Hezbollah ao longo das últimas décadas.
Em resposta, Israel atacou a capital do Líbano, Beirute, sobretudo a periferia sul da cidade, tradicional bastião do grupo xiita. Segundo o Ministério da Saúde libanês, o saldo momentâneo é de pelo menos 31 mortos e 149 feridos.
O Exército israelense também diz ter atingido um "importante terrorista do Hezbollah", mas ainda não se sabe se trata-se do líder do grupo, Naim Qassem. "Estamos prontos para todos os cenários, e tudo dependerá dos desdobramentos em campo", disse o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), Nadav Shoshani.
"Mas não temos intenção de iniciar uma operação terrestre no Líbano no curto-médio prazo", acrescentou. Enquanto isso, milhares de pessoas fugiram de Beirute e de vilarejos em todo o sul do país árabe, após alertas de evacuação emitidos por Israel.
O presidente libanês, Joseph Aoun, criticou os ataques do Hezbollah, que "vão contra todos os esforços para manter" o país "longe dos perigosos confrontos militares na região".
No Irã, o balanço do conflito até o momento é de pelo menos 555 pessoas mortas, de acordo com o Crescente Vermelho, versão islâmica da Cruz Vermelha. O objetivo de EUA e Israel é enfraquecer o sistema vigente no país e estimular uma revolta popular que derrube o regime dos aiatolás, porém ainda não há sinais de insurreição nas ruas.
Para isso, americanos e israelenses mataram não apenas Khamenei, mas também dezenas de lideranças da Guarda Revolucionária, o poderoso braço ideológico das Forças Armadas, criado para proteger o sistema instaurado pela Revolução Islâmica de 1979.
Em resposta, o Irã continua bombardeando alvos em Israel e bases americanas em países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, onde uma coluna de fumaça foi vista sobre a embaixada dos EUA nesta segunda-feira.
Coluna de fumaça sobre embaixada dos EUA no Kuwait"Existe uma ameaça constante de ataques com mísseis e drones contra o Kuwait. Não venham à embaixada. Abriguem-se em suas casas, no andar mais baixo disponível e longe das janelas. Não saiam", alertou a sede diplomática em comunicado.
Ainda no Kuwait, o Ministério da Defesa local disse que aviões militares americanos "caíram" durante a última manhã, porém todos os pilotos conseguiram se ejetar e estão sãos e salvos. O governo do país árabe não explicou a causa dos incidentes, mas, horas antes, as forças iranianas reivindicaram ter derrubado um caça F-15 no Kuwait.
Novas explosões também foram registradas perto do aeroporto de Irbil, cidade iraquiana que abriga tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos. Na Arábia Saudita, as atividades na importante refinaria de petróleo de Ras Tanura foram suspensas devido a uma tentativa de ataque com drone.
Os países árabes do Golfo Pérsico, aliados dos EUA, agora estudam realizar possíveis represálias às ações do Irã, enquanto o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, afirmou que o país está "pronto para participar" da defesa das nações da região, "envolvidas em uma guerra que elas não escolheram".