Groenlândia rejeita proposta de Trump e diz 'não estar à venda' antes de reunião tensa em Washington
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou publicamente qualquer possibilidade de vender o território aos Estados Unidos às vésperas de uma reunião de alto nível em Washington. Em entrevista coletiva ao lado da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, em Copenhague, Nielsen afirmou que "falar em comprar outro povo é desrespeitoso" e reforçou que os groenlandeses "escolhem a Dinamarca".
Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York
A declaração ocorre antes do encontro marcado para quarta-feira (14) na Casa Branca entre a chanceler da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.
A reunião foi solicitada por Rasmussen após o endurecimento do discurso do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle da ilha.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que Groenlândia e Dinamarca atuarão de forma conjunta: "Entramos juntos na sala, saímos juntos e falamos com os americanos juntos". A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também destacou a unidade entre os dois governos e disse que enfrentar "pressões inaceitáveis de aliados históricos" não tem sido fácil, acrescentando que "o mais difícil pode estar por vir".
A presença do vice-presidente JD Vance no encontro elevou o nível político da reunião, que será realizada na Casa Branca. Segundo Rasmussen, Vance solicitou participar e vai presidir o encontro. Após reunião entre Nielsen e Frederiksen, os dois líderes reiteraram que manterão posição unificada diante dos Estados Unidos.
Trump insiste em "garantir a Groenlândia"
Donald Trump tem repetido publicamente o desejo de adquirir a Groenlândia, território semi-autônomo sob soberania dinamarquesa, classificando a iniciativa como um "imperativo estratégico". No domingo (11), afirmou que "se os Estados Unidos não tomarem a Groenlândia, Rússia ou China tomarão", e disse que pretende garantir o controle da ilha "de um jeito ou de outro". Na semana passada, declarou que prefere "o jeito fácil", comprando o território, mas não descartou o "jeito difícil", incluindo pressão extrema e até ação militar.
O presidente americano também afirmou que garantir a Groenlândia é essencial para a segurança dos Estados Unidos, citando a presença russa e chinesa no Ártico. Governos nórdicos, no entanto, rejeitam a alegação de que navios chineses e russos estejam operando em águas próximas à Groenlândia de forma ameaçadora.
A crise também chegou ao Reino Unido. Em Londres, a ministra de Negócios e Energia da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, pediu ao governo britânico que "ouse ter princípios" e ajude a ilha a resistir às pressões de Trump. Em um briefing com parlamentares britânicos, Nathanielsen defendeu que os conflitos sejam resolvidos por meio do diálogo e do respeito ao direito internacional, e não pela força.
Ela agradeceu publicamente o apoio do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e pediu que o Reino Unido insista na defesa do direito internacional e na relevância da Otan. Starmer já declarou que o futuro da Groenlândia deve ser decidido apenas pela Dinamarca e pelos groenlandeses.