Fundo de crise de 430 bilhões de euros poderia ser usado para defesa na Europa, diz autoridade
Um fundo europeu de crise com mais de 430 bilhões de euros em recursos poderia emprestar dinheiro a países para fins de defesa, disse à Reuters o diretor-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês), Pierre Gramegna.
As declarações foram dadas em um momento em que o bloco se esforça para reforçar suas forças armadas.
Gramegna afirmou que o ESM poderia conceder linhas de crédito para a defesa e não exigiria reformas econômicas rigorosas em troca, em parte para dissipar qualquer estigma que pudesse surgir ao solicitar dinheiro ao fundo de emergência da zona do euro.
"Nestes tempos de turbulência geopolítica, que desencadearam maiores gastos e custos de defesa para todos os países, devemos usar todo o potencial do ESM", disse.
Ele destacou o uso de linhas de crédito para defesa em países com boa saúde financeira, mas cujos orçamentos estão apertados, em particular os menores Estados da zona do euro.
"Temos os instrumentos", disse ele. "É do interesse da Europa... usar todo o potencial."
"É óbvio que a relação entre a Europa e os Estados Unidos está se tornando cada vez mais conturbada."
REUTILIZAÇÃO DE FUNDO
Qualquer apoio financeiro desse tipo seria simbolicamente importante, reaproveitando um fundo criado no auge da crise da dívida da zona do euro para evitar o colapso das economias nacionais e dos bancos, além de fortalecer a moeda.
A hostilidade declarada do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à Europa está forçando seus líderes políticos a buscarem meios alternativos de defender a região contra a agressão russa.
As declarações de Gramegna sugerem uma disposição para usar a vasta reserva europeia para reforçar os países da zona do euro, em particular as nações bálticas menores que fazem fronteira com a Rússia, embora os empréstimos precisem primeiro ser aprovados pelos 21 países da zona do euro que apoiam o ESM.
Apenas os países da zona do euro poderiam receber os empréstimos, excluindo aqueles que não utilizam a moeda, como a Polônia. O Mecanismo Europeu de Estabilidade não menciona explicitamente a defesa na sua missão, e qualquer alteração desse tipo exigiria a aprovação dos Estados-membros, incluindo de países militarmente neutros como Áustria, Chipre, Malta ou Irlanda.
As tentativas da Europa de reforçar suas defesas, quatro anos após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, ganharam maior urgência desde que Trump ameaçou impor tarifas comerciais aos países que rejeitaram sua reivindicação sobre a Groenlândia, um território dinamarquês.
Gramegna insinuou um possível papel para o ESM, que foi criado durante a crise da dívida para conceder empréstimos a países como a Grécia, mas que desde então se tornou em grande parte redundante.
"É um dos nossos instrumentos", disse ele, referindo-se ao uso das chamadas linhas de crédito preventivas para a defesa. "Está disponível. Precisamos redescobrir o potencial desse instrumento."
"É preciso garantir que essa verba... seja usada para despesas de defesa", disse ele, acrescentando que não haveria condições drásticas. "O objetivo principal é evitar que esse tipo de instrumento seja combinado com a reestruturação da economia."