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Fome é resultado da falta de vontade política, diz Papa

Leão XIV afirmou ser 'intolerável que pão seja considerado um privilégio'

16 out 2026 - 13h56
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Resumo
No Dia Mundial da Alimentação, em mensagem lida na FAO, o papa Leão XIV afirmou que a fome decorre da falta de vontade política e de solidariedade, e não de anomalias estatísticas. O pontífice classificou como intolerável tratar o alimento como privilégio, ativo especulativo ou arma de guerra. Ao defender a comida como direito humano fundamental, ele cobrou coragem moral dos governantes e propôs redirecionar os investimentos da indústria bélica para a agricultura sustentável.

Em mensagem divulgada nesta sexta-feira (16), por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, o papa Leão XIV afirmou ser "intolerável que o pão seja considerado um privilégio" e alertou que a fome é provocada, sobretudo, pela falta de vontade política e de solidariedade coletiva.

    A mensagem do pontífice americano, que se recupera de uma cirurgia para a remoção de um tumor maligno no pulmão, foi lida pelo monsenhor Fernando Chica Arellano, observador permanente da Santa Sé junto às organizações das Nações Unidas em Roma, durante a cerimônia global do Dia Mundial da Alimentação. O evento foi realizado no plenário da sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), na capital italiana.

    "Para garantir que as necessidades alimentares de amanhã sejam atendidas, a produção de alimentos deve ser libertada de uma mentalidade puramente especulativa. O pão não deve ser um instrumento de pressão geopolítica nem um ativo financeiro volátil. Tampouco deve ser usado como arma de guerra. De fato, impedir que o pão chegue a uma única pessoa ou destruir os meios pelos quais ele é produzido constitui uma terrível ofensa à dignidade humana", diz a mensagem.

    No documento, o líder da Igreja Católica alertou que a fome "não pode ser considerada uma anomalia estatística, pois é causada principalmente pela falta de vontade política e de solidariedade coletiva".

    "Em uma era caracterizada por um progresso tecnológico sem precedentes, é intolerável que o pão seja considerado um privilégio e a água, uma mercadoria disputada. O acesso regular a alimentos seguros, adequados e suficientes, condizente com a dignidade de cada pessoa, é um direito humano fundamental.

    Garantir esse direito é um dever de justiça que vincula tanto os Estados individualmente quanto a comunidade internacional", afirmou o pontífice.

    Leão XIV também incentivou a FAO e seus Estados-membros "a não se contentarem com análises abstratas ou declarações de eficácia limitada", destacando que chegou o momento de "demonstrar coragem moral".

    "Uma nova ordem alimentar global é essencial, na qual a inovação tecnológica seja incondicionalmente subordinada ao respeito pela dignidade humana concedida por Deus e pelo bem comum universal. Além disso, existe um imperativo ético urgente para redirecionar os recursos investidos na indústria bélica para a pesquisa agrícola sustentável e a regeneração de terras degradadas", concluiu o Papa. .

Ansa - Brasil
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