Flotilha internacional zarpa de Barcelona rumo a Gaza com ativistas e ajuda humanitária
Uma flotilha internacional com quase 20 embarcações partiu neste domingo (31) de Barcelona rumo a Gaza, levando ajuda humanitária e ativistas como Greta Thunberg, em uma ação que busca romper o bloqueio imposto por Israel e denunciar a crise humanitária no território palestino. A missão, chamada Global Sumud Flotilla, reúne participantes de dezenas de países, entre eles o Brasil, e prevê manifestações em 44 nações, enquanto Gaza enfrenta um estado de fome declarado pela ONU e mais de 63 mil mortos desde o início da guerra.
Uma flotilha internacional com quase 20 embarcações partiu neste domingo (31) de Barcelona rumo a Gaza, levando ajuda humanitária e ativistas como Greta Thunberg, em uma ação que busca romper o bloqueio imposto por Israel e denunciar a crise humanitária no território palestino. A missão, chamada Global Sumud Flotilla, reúne participantes de dezenas de países, entre eles o Brasil, e prevê manifestações em 44 nações, enquanto Gaza enfrenta um estado de fome declarado pela ONU e mais de 63 mil mortos desde o início da guerra.
Com o lema "Quando o mundo fica em silêncio, nós zarpamos", uma flotilha internacional com ativistas e ajuda humanitária partiu do porto de Barcelona com destino à Faixa de Gaza. A bordo de quase 20 embarcações, centenas de pessoas — entre elas a ativista sueca Greta Thunberg, o ator irlandês Liam Cunningham e a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau — deixaram o porto por volta das 15h30 (horário local), empunhando bandeiras palestinas e clamando pela abertura de um corredor humanitário.
"Entendemos que esta é uma missão legal sob o direito internacional", declarou a deputada portuguesa de extrema esquerda Mariana Mortágua, que acompanha a iniciativa.
"A missão é chegar a Gaza, entregar a ajuda humanitária, anunciar a abertura de um corredor humanitário e depois levar mais ajuda, e assim também terminar de romper o bloqueio ilegal e desumano de Israel", afirmou Thunberg em entrevista antes de embarcar.
Embarcações também zarpam de outros portos do Mediterrâneo
Segundo os organizadores, a flotilha é composta por embarcações independentes, não vinculadas a governos ou partidos políticos. O nome da missão, Sumud, significa "resiliência" em árabe. A ativista sueca destacou que esta edição é "histórica" por reunir um número recorde de barcos e participantes.
Além da frota que partiu de Barcelona, outras embarcações devem zarpar da Tunísia e de diferentes portos do Mediterrâneo no dia 4 de setembro, ampliando a mobilização. Estão previstas manifestações e ações simultâneas em 44 países, segundo Thunberg.
"Esta história não tem nada a ver com essa missão. A história aqui é sobre a Palestina. A história aqui é como as pessoas estão sendo deliberadamente privadas dos meios mais básicos para sobreviver. A história aqui é como o mundo consegue ficar em silêncio", declarou a ativista em coletiva de imprensa no porto.
"O fato de a flotilha estar acontecendo é uma demonstração do fracasso do mundo em defender o direito internacional e o direito humanitário", criticou o ator Liam Cunningham. "É um período vergonhoso na história do nosso mundo e deveríamos estar coletivamente envergonhados", disse.
Espanha promete proteção diplomática
O governo espanhol anunciou que mobilizará sua proteção diplomática e consular para garantir a segurança dos cidadãos que participam da flotilha. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, no sábado (30).
A nova missão ocorre após uma tentativa frustrada em junho, quando o veleiro Madleen, com 12 ativistas de diversas nacionalidades foi interceptado por forças israelenses a 185 km da costa de Gaza. Os participantes foram posteriormente expulsos.
Gaza em estado de fome
A iniciativa acontece em meio a uma grave crise humanitária na Faixa de Gaza. Na semana passada, a Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC), apoiada pela ONU, declarou estado de fome no enclave, alertando que 500 mil pessoas enfrentam uma situação catastrófica.
O conflito foi desencadeado pelo ataque do grupo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.219 mortos, a maioria civis, segundo dados da AFP. Em resposta, a ofensiva israelense já causou a morte de mais de 63.400 pessoas em Gaza, também majoritariamente civis, conforme números do ministério da Saúde palestino, considerados confiáveis pela ONU.
(Com AFP)