Ex-ministro da Defesa do Reino Unido é nomeado novo titular das Finanças
O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, nomeou na segunda-feira o ex-secretário de Defesa John Healey como ministro das Finanças, poucas semanas depois de ele ter se demitido do governo anterior com uma crítica contundente à forma como o Tesouro havia falhado nas despesas com a defesa.
Muito querido pelos pares, Healey, de 66 anos, terá agora que encontrar mais recursos para investir em áreas-chave como a defesa e impulsionar uma economia em desaceleração, ao mesmo tempo em que reduz os gastos com assistência social, tudo isso cumprindo a promessa de Burnham de respeitar as regras fiscais.
Sua nomeação também pode sinalizar uma nova abordagem em relação ao funcionamento do poderoso Tesouro. No início deste mês, ele criticou a cultura do órgão e a "ortodoxia do Tesouro" por atuarem como um "freio à dinâmica do governo".
Os parlamentares trabalhistas acolheram a medida, afirmando que ela sinalizaria ao presidente dos EUA, Donald Trump, e à Otan que o Reino Unido leva a sério o financiamento da defesa, enquanto alguns parlamentares de outros partidos instaram Burnham e Healey a considerarem "títulos de defesa" para contrair empréstimos mais especificamente destinados a investir no setor.
HEALEY TEM EXPERIÊNCIA NO TESOURO E TEM COMO OBJETIVO A REINDUSTRIALIZAÇÃO
Healey renunciou ao governo de Keir Starmer em junho, afirmando que o ex-primeiro-ministro havia sido "incapaz" e que o Ministério das Finanças "não estava disposto" a encontrar os recursos necessários para manter o país seguro. Ele disse em um discurso de renúncia aos parlamentares que "nossos adversários não seguem os cronogramas estabelecidos pelo Tesouro".
Healey não era visto como um dos principais candidatos ao cargo-chave de ministro das Finanças, mas — tendo trabalhado no Tesouro de 2002 a 2007 sob o comando do ministro das Finanças Gordon Brown e ocupado cargos seniores com todos os líderes trabalhistas desde então — foi recebido com satisfação por investidores, analistas e parlamentares como uma escolha segura.
Pessoas a par da decisão afirmaram que Healey e Burnham tinham visões semelhantes sobre a necessidade de manter a estabilidade econômica e de impulsionar o crescimento por meio da descentralização de poderes por todo o país, ajudando a população com o custo de vida e fortalecendo a base industrial do Reino Unido.
Healey disse à BBC neste mês que o investimento em defesa poderia fazer parte da revitalização e reindustrialização do país.
A libra esterlina subiu ligeiramente após sua nomeação — após ter caído anteriormente, quando Burnham falou sobre uma possível flexibilidade nas regras fiscais do país — e a reação inicial entre os analistas foi positiva.
"Healey traz experiência no Tesouro e é um sinal de que Burnham respeitará os mercados de títulos como um freio ao seu radicalismo, em vez de seguir em frente com mudanças significativas que poderiam desestabilizar a situação fiscal", disse Richard Carter, chefe de pesquisa de renda fixa da Quilter Cheviot.
Mas ele enfrentará muitos desafios.
Como ministro da Defesa, Healey passou meses pressionando Starmer e o Ministério das Finanças para traçar um plano que permitisse gastar 3% do PIB com a defesa até 2030, em vez dos 2,68% que o governo acabou colocando no orçamento.
A renúncia inesperada de Healey, que era um aliado leal de Starmer e um dos ministros mais experientes do governo, foi um golpe significativo para o então primeiro-ministro, que anunciou sua renúncia menos de duas semanas depois.
Uma autoridade do governo que trabalhou com Healey o descreveu como um político competente e pragmático, e não como um ideólogo.
Healey também já havia atuado como ministro de governo local, uma área central na agenda de Burnham, e defendia que mais recursos e poderes de arrecadação de impostos deveriam ser transferidos do governo central para os líderes regionais.
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