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Bolonha, na Itália, vive noite brutal durante confronto entre agentes e manifestantes

Meloni criticou violência em protesto por morte de homem em abordagem policial

21 jul 2026 - 08h21
(atualizado às 12h02)
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Ao menos 64 agentes das forças de segurança de Bolonha, na Itália, ficaram feridos durante um violento confronto na noite de segunda-feira (20) envolvendo manifestantes que protestavam pela morte do marroquino Abderrahim Fakir durante uma abordagem policial. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, chamou de "injustificável" o ocorrido.

"O que aconteceu em Bolonha é inaceitável. Em relação à morte de Abderrahim Fakir, é fundamental que qualquer responsabilidade seja apurada com o máximo rigor, sem preconceitos e sem poupar ninguém. No entanto, nada pode justificar a violência contra as forças de segurança", escreveu a premiê nesta terça-feira (21) nas redes sociais.

Segundo Meloni, quem escolheu o incidente como "pretexto para atacar a cidade com ferro e fogo, agredir os agentes e disseminar a violência, colocando em risco a segurança de cidadãos totalmente alheios aos distúrbios, não buscava a verdade: buscava o confronto".

"Promover um clima de ódio e deslegitimação contra toda uma instituição do Estado é um ato de grave irresponsabilidade", acrescentou a líder italiana, antes de concluir: "Transformar milhares de homens e mulheres uniformizados em alvos significa atacar aqueles que servem a Itália todos os dias com profissionalismo, sacrifício e coragem".

De acordo com o primeiro balanço emitido hoje pela Polícia de Estado, 64 policiais ficaram feridos em meio ao confronto no centro da cidade com manifestantes, que atacaram a tropa de choque com garrafas e chutes. Os agentes responderam com gás lacrimogêneo e jatos d'água a fim de dispersar a multidão na Piazza Roosevelt.

Durante a confusão, o Corpo de Bombeiros teve que intervir na Via Monte Grappa, onde uma granada de fumaça incendiou-se em um pátio interno.

Milhares de pessoas se reuniram em Bolonha para protestar pela morte de Fakir

"Assassinos!", gritaram os participantes do protesto, que também pediram pelo "fim da imunidade penal".

O tumulto prosseguiu pela madrugada, a poucos metros da Piazza Maggiore, onde um grupo de ativistas continuou a arremessar objetos contra policiais, incluindo cadeiras dos cafés ao ar livre, além de vandalizar bicicletas de sistemas de compartilhamento. Pelo menos um veículo municipal foi incendiado, obrigando os bombeiros a uma nova intervenção.

"Ontem Bolonha presenciou duas cenas distintas. A Piazza Nettuno representa Bolonha: milhares de pessoas se reuniram ali, de forma pacífica e espontânea, para manifestar apoio à família de Abderrahim Fakir. Já a Piazza Roosevelt, com os confrontos ocorridos ali, não representa Bolonha", afirmou o prefeito Matteo Lepore em carta aberta à cidade.

"Aqueles que acreditam poder responder à violência com violência colocam-se à margem do Estado de Direito e, consequentemente, fora da nossa comunidade democrática", pontuou Lepore.

Após as manifestações na capital da Emilia-Romagna, outras cidades italianas devem receber protestos pela morte de Fakir ainda hoje, caso de Nápoles, na Campânia, e de Livorno, na Toscana.

Ontem, o Ministério Público de Bolonha abriu um inquérito para apurar as circunstâncias e causas da morte de Fakir, um homem de origem marroquina de 43 anos, durante uma abordagem policial em uma rua do bairro Pilastro, no último domingo (19).

O caso está sendo investigado por homicídio culposo e marca a primeira aplicação do modelo 45 bis, mecanismo previsto no recente decreto de segurança italiano para registrar, em uma seção separada, os nomes de agentes públicos envolvidos em ações praticadas no exercício de suas funções, visando dar maior proteção aos policiais acusados de irregularidades.

A investigação, coordenada pelo procurador Paolo Guido, abrange os dois policiais da delegacia de Bolognina Pontevecchio que participaram da abordagem e quatro socorristas da Cruz Vermelha que atenderam à ocorrência.

Apesar do registro dos nomes, a Promotoria esclareceu que não há suspeitos formalmente indiciados, e que o procedimento busca garantir a realização das diligências necessárias, incluindo exames periciais, para reconstruir os fatos.

Segundo as primeiras informações obtidas pelos investigadores, os policiais acionaram o serviço de emergência 118 relatando que um homem estava em "crise psiquiátrica". A polícia havia sido chamada por moradores que denunciaram que Fakir apresentava comportamento agressivo e teria ameaçado um motorista que estacionava um veículo em uma garagem nas proximidades.

De acordo com as investigações preliminares, os agentes tentaram inicialmente acalmar Fakir, mas ele teria reagido de forma agressiva, chegando a chutar a viatura policial. Os policiais supostamente utilizaram spray de pimenta e, em seguida, imobilizaram o homem, prendendo suas mãos e tornozelos.

Um vídeo gravado por um morador e amplamente divulgado nas redes sociais mostra Fakir no chão enquanto grita por "socorro" e pede para que parem a contenção. Em seguida, ele perde os sentidos.

Conforme as informações apuradas até o momento, nem os policiais nem os paramédicos teriam percebido imediatamente que ele havia parado de respirar.

Em nota, a Procuradoria afirmou que a investigação analisará "todo o desenrolar dos acontecimentos", ressaltando que os fatos são mais complexos do que o trecho registrado no vídeo divulgado online.

Os promotores destacaram que a apuração abrangerá tanto a atuação das forças policiais quanto dos profissionais de saúde, com base em exames forenses e outras diligências. 

Ansa - Brasil
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