Sensores russos que tentaram espionar submarinos nucleares britânicos atestam guerra hídrida na Europa
O jornal Sunday Times revelou no fim de semana que a Marinha britânica descobriu vários sensores russos suspeitos de tentar espionar os submarinos nucleares do Reino Unido, em mais um exemplo da intensa atividade militar no Mar do Norte e no Mar Báltico desde o início da guerra declarada pelo presidente russo, Vladimir Putin, na Ucrânia.
O jornal Sunday Times revelou no fim de semana que a Marinha britânica descobriu vários sensores russos suspeitos de tentar espionar os submarinos nucleares do Reino Unido, em mais um exemplo da intensa atividade militar no Mar do Norte e no Mar Báltico desde o início da guerra declarada pelo presidente russo, Vladimir Putin, na Ucrânia.
A descoberta dos sensores russos é mais um capítulo da guerra híbrida silenciosa, quase invisível para o mundo, que a Rússia trava contra a Europa. O Reino Unido possui quatro submarinos nucleares, e autoridades de inteligência em Londres afirmam que os russos visavam espionar a movimentação dessas embarcações e suas atividades. A operação de Moscou não foi totalmente bem-sucedida, porque alguns dos sensores foram encontrados na costa, outros "localizados" no mar e "escondidos perto de cabos de comunicação subaquáticos", segundo o Sunday Times.
O portal de notícias francês FranceInfo explica, nesta segunda-feira (7), que as águas britânicas são particularmente monitoradas por outras potências, uma vez que a área é repleta de locais estratégicos: campos de gás e petróleo, parques eólicos offshore e cabos que fornecem internet e comunicações para os países europeus.
O corredor do Canal da Mancha e do Mar do Norte também registra quase 20% do tráfego marítimo global, com portos como Roterdã, Antuérpia e Hamburgo entre os mais importantes do mundo. A Rússia acessa o Reino Unido pelo Mar Báltico, a partir de São Petersburgo, ou pelo Ártico, ao longo da costa norueguesa.
De acordo com uma investigação realizada no ano passado na Holanda, recorda o site FranceInfo, cerca de 170 navios comerciais russos estão envolvidos nessas operações de espionagem.
Eventos suspeitos se multiplicam
Em janeiro, um navio pertencente à agência russa de pesquisa subaquática, o Yantar, foi avistado pela defesa britânica navegando em suas águas. Oficialmente, esta agência sob a autoridade do Ministério da Defesa da Rússia, realiza pesquisas oceanográficas, mas os países europeus suspeitam que ela esteja por trás de amplas operações de espionagem e até de sabotagem.
As explosões suspeitas ocorridas nos gasodutos Nord Stream em setembro de 2022 alertaram a inteligência europeia a respeito da intensificação da guerra híbrida de Moscou. Na época, a invasão russa na Ucrânia iniciada pelo presidente russo, Vladimir Putin, era recente - a guerra começou em 24 de fevereiro daquele ano - e foi acompanhada de sanções ocidentais contra os interesses do Kremlin.
Desde então, dezenas de investigações sobre operações semelhantes no Mar do Norte e no Mar Báltico foram abertas, diante de indícios de sabotagem. Essas investigações também buscam esclarecer as atividades e movimentações de uma frota "fantasma" russa, composta por cerca de 800 navios não listados em registros oficiais de navegação, mas suspeitos de serem usados por Moscou para continuar a transportar gás ou petróleo russo enquanto driblam as sanções ocidentais. Esses navios também são suspeitos de realizar missões de reconhecimento ou sabotagem.
A mídia escandinava chegou a avistar um navio russo percorrendo uma rota paralela à maioria dos parques eólicos offshore localizados em águas britânicas.
Essa guerra silenciosa, sistematicamente negada por Moscou, levou seis países europeus - Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Noruega, Holanda e Reino Unido - a concluírem um "pacto de segurança" no ano passado, para evitar "ataques fatais".