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Parlamento Europeu ameaça cancelar acordo comercial com EUA após nova sobretaxa global de Trump

A cobrança das sobretaxas americanas, invalidadas pela Suprema Corte, será suspensa a partir desta terça-feira (24), informou a Agência de Alfândega dos Estados Unidos. No mesmo dia, entra em vigor a nova tarifa global de 15% anunciada por Donald Trump em reação à decisão da Justiça. A imprensa francesa desta segunda-feira (23) analisa as consequências dessas medidas, que podem cancelar os acordos comerciais já concluídos entre os EUA e a União Europeia.

23 fev 2026 - 12h51
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A Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu realizou nesta segunda-feira uma reunião extraordinária para avaliar a derrubada do tarifaço de Trump pela Suprema Corte na relação entre a Europa e os Estados Unidos. Os eurodeputados decidiram suspender o processo de implementação do acordo comercial entre o bloco e os EUA..

Donadl Trump anunciou a nova tarifa global de 15% no sábado 21 de fevereiro, depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou o tarifaço imposto por ele em abril de 2025.
Donadl Trump anunciou a nova tarifa global de 15% no sábado 21 de fevereiro, depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou o tarifaço imposto por ele em abril de 2025.
Foto: REUTERS - Kevin Lamarque / RFI

Zeljana Zovko, do partido de direita PPE, explicou que a suspensão ocorrerá "enquanto a Comissão não esclarecer com os Estados Unidos as condições das novas tarifas alfandegárias" anunciadas pelo presidente americano. A Comissão de Comércio Internacional do Parlamento deveria deliberar na terça-feira sobre a implementação do acordo, antes de uma votação em sessão plenária prevista para o próximo mês.

O acordo, concluído em julho após intensas negociações entre Bruxelas e Washington, permitiu limitar a 15% as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre a maioria dos produtos europeus, uma porcentagem abaixo dos 30% que o presidente americano havia ameaçado aplicar. Em troca, a UE se comprometeu a eliminar suas próprias tarifas sobre importações americanas, o que exige aprovação do Parlamento Europeu.

A Comissão Europeia, que espera que os Estados Unidos respeitem esse acordo comercial, pediu no domingo (22) "esclarecimentos sobre as medidas que os Estados Unidos pretendem adotar" após a decisão da Suprema Corte.

A China também avalia as consequências das medidas e pressiona Washington a suspender as taxas "unilaterais". Em comunicado, o ministro do Comércio chinês afirmou nesta segunda-feira que o país "defenderá com firmeza seus interesses".

"Revés" e "derrota contundente"

A reação do presidente americano à decisão da Suprema Corte dos EUA, que considerou ilegal e, consequentemente, anulou o tarifaço imposto em abril de 2025 a vários países, está estampada na primeira página dos jornais franceses.

Libération fala em "revés significativo". Inicialmente, Trump reagiu anunciando uma sobretaxa global de 10%, mas 24 horas depois aumentou a tarifa para 15%. Nessa manobra para driblar a decisão da Suprema Corte americana, o republicano se baseou em uma lei de 1974.

O problema é que o texto limita a duração da nova sobretaxa, que entrará em vigor na terça-feira, a 150 dias, informa o Libération. Ela só pode ser prorrogada com aprovação do Congresso.

A derrota de Trump foi "contundente", salienta o jornal Les Echos. O diário econômico explica que o presidente americano tenta, com o anúncio, "tapar as rachaduras provocadas pela decisão da Suprema Corte".

A reportagem afirma que as tarifas comerciais são a "outra arma" de Trump. Segundo Les Echos, talvez esta seja a ocasião para renegociar a relação transatlântica entre os Estados Unidos e a Europa e revisar o acordo desigual assinado em julho entre Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

"Confusão sobre o comércio mundial"

Para o Le Figaro, "a confusão reina novamente sobre o comércio mundial". As novas tarifas alfandegárias globais de 15% podem potencialmente cancelar os acordos assinados com diversas potências, incluindo a Europa. Elas também abrem caminho para o reembolso de cerca de uma centena de bilhões de dólares das sobretaxas já recolhidas.

O La Croix avalia, em seu editorial, que a decisão da Suprema Corte faz vacilar o programa econômico e diplomático do presidente americano, que "está de volta à realidade". Ao considerar que Trump não tinha o direito de impor o tarifaço sem passar pelo Congresso, os magistrados reafirmaram sobretudo os limites de seu poder político. Já era tempo, segundo o jornal católico.

Desde a reeleição em 2024, o republicano, deslumbrado com seu poder, vem multiplicando decisões autoritárias, como no caso das tarifas alfandegárias, da prisão de Nicolás Maduro na Venezuela ou do envio da Guarda Nacional a cidades democratas.

A derrota jurídica, decidida por seis dos nove juízes da corte — três deles conservadores — reforça a primazia da Constituição sobre o poder presidencial e a existência de contrapesos na democracia americana. Ela também enfraquece o republicano antes das importantes eleições de meio de mandato, em novembro. A expectativa é grande para o discurso sobre o Estado da União de Donald Trump, na terça-feira, indica La Croix

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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