Oito voos comerciais são alvo de falsos alertas de bomba e tráfego aéreo é perturbado na Europa
Ao menos oito voos comerciais com destino a diferentes aeroportos europeus foram alvo de ameaças de bomba nesta terça-feira (3), provocando operações de segurança e desvios de aeronaves em vários países. Após inspeções realizadas pelas autoridades aeroportuárias, nenhum explosivo foi encontrado. Os alertas atingiram cinco voos da companhia irlandesa Ryanair, além de aeronaves da Scandinavian Airlines System (SAS), da polonesa LOT Polish Airlines e da húngara Wizz Air.
Uma onda de falsos alertas de bomba atingiu ao menos oito voos comerciais na Europa, afetando rotas de companhias como Ryanair, Wizz Air, SAS e LOT em países como Polônia, Espanha e Bulgária. Nenhuma ameaça foi confirmada após as inspeções de segurança e os aeroportos retomaram as operações. Os episódios somam-se a outros incidentes recentes e ocorrem em meio à crescente tensão no continente com a segurança, incluindo riscos de guerra híbrida e alertas sobre um aumento de ciberataques.
Um dos incidentes envolveu um voo da SAS que fazia a rota entre Copenhague e o aeroporto Chopin, em Varsóvia. Após o pouso, a aeronave passou por uma inspeção de segurança devido a informações sobre a possível presença de um objeto perigoso a bordo, informou o porta-voz do aeroporto, Piotr Rudzki.
"Uma pista de pouso foi fechada, sem que o funcionamento de todo o aeroporto fosse prejudicado", reiterou. No final da manhã, "as verificações de segurança foram concluídas e o aeroporto retomou seu funcionamento normal", disse ele.
Outra ameaça teve como alvo um voo da LOT procedente de Londres-Heathrow e inicialmente previsto para pousar no aeroporto Chopin. Como medida de precaução, as autoridades desviaram a aeronave para o aeroporto de Modlin, também na região de Varsóvia.
"Os passageiros foram evacuados e a aeronave passou por verificações de segurança. Nada foi encontrado", declarou o porta-voz do local, Adam Szablowski. "O aeroporto foi reaberto e está funcionando normalmente", acrescentou.
Na Espanha, um voo da Ryanair que ligava Manchester a Múrcia também foi alvo de uma ameaça de bomba. Segundo a operadora aeroportuária Aena, o avião pousou sem incidentes por volta das 10h30 no horário local, e o plano de emergência foi desativado após as inspeções realizadas pela polícia espanhola.
Já na Bulgária, um voo da Wizz Air procedente de Bérgamo, na Itália, também passou por inspeções ao chegar a Sófia. As autoridades informaram que nenhum objeto suspeito foi localizado a bordo.
Outros quatro voos afetados pelos falsos alertas pertenciam à Ryanair. Dois deles partiram de Lisboa, com destino a Roma e Sófia, respectivamente. Os outros dois decolaram de Dublin, também com destino às capitais italiana e búlgara. Todos foram submetidos aos protocolos de segurança previstos, sem que qualquer ameaça fosse confirmada.
Falsos alertas desde domingo
Os episódios desta terça-feira ocorreram um dia após um alerta de bomba em um voo da Wizz Air que fazia a rota entre Luton, na Inglaterra, e Sófia. A aeronave precisou realizar um pouso de emergência em Budapeste, escoltada por dois caças da Força Aérea húngara.
No domingo (1º), um voo da Austrian Airlines que seguia de Tel Aviv para Viena também foi desviado para a Bulgária após uma ameaça semelhante. Nenhum explosivo foi localizado durante as inspeções.
Até o momento, as autoridades não indicaram qualquer ligação entre os diferentes incidentes nem identificaram os responsáveis pelas ameaças.
A sequência de alertas ocorre em um momento de crescente preocupação com a segurança na Europa. Na segunda-feira, centenas de refrigeradores comerciais em supermercados de diversos países foram afetados por um suposto ataque cibernético.
Também nesta semana, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, alertou para uma intensificação das chamadas operações de "guerra híbrida" atribuídas à Rússia e anunciou o reforço de medidas de segurança na região fronteiriça com Kaliningrado, enclave russo entre a Polônia e a Lituânia.
Aumento sem precedentes de ciberataques
O diretor do Centro Nacional de Cibersegurança britânico (NCSC, na sigla em inglês), Richard Horne, alertou nesta terça-feira (3) que o país poderá enfrentar nos próximos meses um aumento "sem precedentes" no número de incidentes cibernéticos, incluindo ataques contra infraestruturas críticas conduzidos por Estados com o uso de inteligência artificial.
Durante a apresentação do relatório anual da organização, em Londres, Horne afirmou que a China é atualmente o país mais bem posicionado para empregar ferramentas de inteligência artificial em operações cibernéticas voltadas contra infraestruturas nacionais críticas e outros alvos estratégicos do Reino Unido.
"É altamente provável que a China tenha essa intenção e esteja mais bem posicionada para utilizar a IA em operações contra nossas infraestruturas nacionais críticas e outros alvos estratégicos", declarou o diretor do NCSC.
RFI com AFP
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