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Justiça da Espanha condena ex-ministro de premiê Pedro Sánchez a 24 anos de prisão por corrupção

O ex-ministro dos Transportes da Espanha, José Luis Ábalos, um dos principais aliados do primeiro-ministro Pedro Sánchez e figura-chave na ascensão do líder socialista ao poder, foi condenado nesta segunda-feira (22) a 24 anos e três meses de prisão pelo Tribunal Supremo espanhol por corrupção em contratos públicos assinados durante a pandemia de Covid-19.

22 jun 2026 - 10h37
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 O Tribunal Supremo da Espanha sentenciou Ábalos pelos crimes de organização criminosa, suborno, peculato e tráfico de influência em um esquema relacionado à compra de milhões de máscaras durante a pandemia de Covid-19. Seu ex-assessor Koldo García recebeu pena de 19 anos de prisão pelos mesmos delitos. Já o empresário Víctor de Aldama foi condenado a quatro anos e meio, mas teve a execução da pena suspensa em razão de sua colaboração com as investigações.

Ex-ministro espanhol José Luis Ábalos em prisão preventiva por corrupção durante pandemia de Covid.
Ex-ministro espanhol José Luis Ábalos em prisão preventiva por corrupção durante pandemia de Covid.
Foto: AFP - JAVIER SORIANO / RFI

A decisão judicial é especialmente sensível para Sánchez porque Ábalos não era apenas mais um integrante do governo. Durante anos, ele foi um dos homens mais poderosos do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e desempenhou papel fundamental na ascensão política do atual premiê.

Quem é José Luis Ábalos

Para entender o impacto da condenação, é preciso voltar a 2018. Naquele ano, Pedro Sánchez chegou ao poder após liderar uma moção de censura que derrubou o governo conservador de Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), atingido por um grande escândalo de corrupção.

Ábalos foi um dos principais articuladores dessa operação política. Como secretário de Organização do PSOE, era considerado o braço direito de Sánchez dentro do partido e responsável pela estrutura que sustentava o governo socialista.

Sua queda, portanto, tem um peso simbólico enorme: um dos homens que ajudou Sánchez a chegar ao poder está agora condenado justamente por corrupção — tema que sempre esteve no centro do discurso do PSOE contra seus adversários.

O que é o "caso Koldo"

O escândalo ficou conhecido na Espanha como "caso Koldo", em referência a Koldo García, assessor próximo de Ábalos e apontado pelos investigadores como peça-chave da rede de influência.

Segundo a sentença, os três condenados formaram uma organização criminosa com divisão de tarefas para favorecer determinadas empresas na contratação emergencial de material sanitário durante a pandemia.

A Justiça concluiu que contratos milionários para aquisição de máscaras foram direcionados de forma irregular. Em troca, os envolvidos teriam recebido benefícios financeiros e favores pessoais.

As investigações apontam que Ábalos teria recebido pagamentos mensais extras, viagens e outras vantagens custeadas por empresários interessados nos contratos públicos.

Durante o julgamento, tanto Ábalos quanto García negaram as acusações.

As acusações que atingem o entorno de Sánchez

Embora Pedro Sánchez não seja réu nem tenha sido formalmente acusado neste processo, o caso ampliou a pressão sobre o governo por causa das declarações do empresário Víctor de Aldama.

Em depoimento, Aldama afirmou que Sánchez seria o líder da organização e que o PSOE teria sido beneficiado por financiamento ilegal. O primeiro-ministro rejeitou categoricamente as acusações, e até o momento não existem acusações formais contra ele relacionadas a esse caso.

O problema para o governo é que o escândalo ocorre em meio a uma série de investigações envolvendo pessoas próximas ao premiê.

Seu irmão, David Sánchez, aguarda julgamento por suposto tráfico de influência. Sua esposa, Begoña Gómez, enfrenta acusações de corrupção e um juiz determinou recentemente medidas cautelares contra ela enquanto o processo avança. Além disso, José Luis Rodríguez Zapatero, ex-primeiro-ministro socialista e mentor político de Sánchez, também é alvo de investigações por suposto tráfico de influência.

Outro episódio que elevou a temperatura política ocorreu no fim de maio, quando investigadores realizaram buscas na sede nacional do PSOE, em Madri, em uma investigação paralela sobre uma suposta estrutura destinada a interferir em apurações envolvendo pessoas próximas ao governo.

Oposição pede eleições antecipadas

A condenação fortaleceu os ataques da oposição.

O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, voltou a pedir a renúncia de Pedro Sánchez e a convocação imediata de eleições gerais. O partido de direita Vox também intensificou as críticas ao governo.

A oposição sustenta que a decisão judicial demonstra a existência de um esquema de corrupção próximo ao núcleo do poder socialista.

O governo, por outro lado, argumenta que os fatos investigados dizem respeito exclusivamente à atuação individual dos condenados e não comprometem a atual direção do PSOE.

Um governo sob pressão

O momento político é particularmente delicado para Sánchez. Seu governo depende de alianças frágeis para manter maioria no Parlamento e enfrenta dificuldades para aprovar projetos importantes, incluindo o orçamento nacional. As eleições legislativas estão previstas para o próximo ano, mas a oposição tenta transformar os escândalos judiciais em argumento para antecipar a disputa.

Diante da crescente pressão, Sánchez deverá fazer um pronunciamento ao Parlamento nos próximos dias para responder às acusações e tentar conter a crise.

Independentemente dos desdobramentos judiciais futuros, a condenação de José Luis Ábalos já é considerada um dos maiores escândalos políticos da Espanha nos últimos anos e representa um duro golpe para um governo que chegou ao poder prometendo combater justamente a corrupção.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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