Incêndio em ilha turística da Grécia desloca 8 mil pessoas e premiê alerta para 'temporada difícil'
Cerca de 8 mil pessoas foram retiradas da região turística de Agia Galini, no sul da ilha grega de Creta, após um grande incêndio florestal avançar na noite de quarta-feira (29). Apesar da melhora observada nesta quinta-feira (30), ventos de até 120 km/h continuavam dificultando o combate às chamas. O fogo destruiu casas, instalações agrícolas e rebanhos. O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis alertou para "semanas difíceis" e para o alto risco de novos incêndios em agosto.
Embora as autoridades tenham registrado melhora das condições nesta quinta-feira (30), os fortes ventos continuavam dificultando o combate às chamas e alimentando novos focos de fogo.
A morte de três bombeiros envolvidos nas operações ampliou a comoção em torno dos incêndios no país. Dois perderam a vida no vilarejo de Krya Vrysi, em Creta, e nesta quinta-feira (30) um terceiro bombeiro perdeu a vida enquanto atuava no combate a um foco próximo de Gytheio, no Peloponeso.
O incêndio em Creta começou na quarta-feira (29) nas proximidades de Rethymnon, uma das principais cidades da ilha, e avançou rapidamente em direção ao litoral sul, alcançando a região de Agia Galini, conhecida por suas praias e por concentrar parte importante da atividade turística local.
Com a rápida expansão das chamas, as autoridades determinaram a evacuação da localidade ainda durante a noite. Segundo Maria Lion, vice-governadora regional de Rethymnon, cerca de 8 mil pessoas deixaram a área por medida preventiva.
A operação envolveu moradores, trabalhadores locais e turistas que passavam férias na ilha. Ônibus disponibilizados pelas autoridades foram utilizados para transportar a população para áreas consideradas seguras.
Apesar da gravidade da situação, não houve registro de pânico durante a evacuação. Segundo relatos de moradores e empresários locais, a retirada ocorreu de forma organizada, sob coordenação dos serviços de emergência.
Nesta quinta-feira (30), as equipes continuavam trabalhando para impedir que o incêndio voltasse a ganhar intensidade em diferentes pontos da região. Dados divulgados pelo Observatório Nacional de Atenas indicaram que, durante a manhã, as frentes de fogo permaneciam espalhadas por uma extensa área, chegando a ficar separadas por mais de 12 quilômetros.
Ventos fortes dificultam combate às chamas
O principal obstáculo enfrentado pelos bombeiros continua sendo o vento. Segundo Yannis Tatarakis, prefeito do município de Agios Vassilios, onde está localizada Agia Galini, as equipes precisavam lidar com sucessivas retomadas do incêndio em diferentes áreas.
"Estamos enfrentando reacendimentos constantes", afirmou o prefeito, em entrevista à emissora pública ERT.
De acordo com ele, as rajadas alcançavam aproximadamente 120 km/h em alguns pontos do sul da ilha, criando condições desfavoráveis para as operações de combate. O vento não apenas acelera a propagação das chamas, como dificulta o uso de aeronaves.
Em determinados momentos, os aviões e helicópteros empregados no combate ao incêndio tiveram sua atuação limitada pelas condições meteorológicas, inclusive durante as operações de reabastecimento de água no mar.
Como resultado, grande parte do combate ficou concentrado nas equipes terrestres. Ao todo, 224 bombeiros, apoiados por 53 veículos e dois helicópteros, permaneciam mobilizados na região, segundo informações divulgadas pelas autoridades gregas.
O turismo responde por uma parcela significativa da atividade econômica do país e tem peso particular em ilhas como Creta, principal destino turístico grego fora da região metropolitana de Atenas.
Turistas começam a retornar
À medida que as condições melhoraram ao longo desta quinta-feira (30), turistas começaram a retornar aos hotéis e acomodações temporariamente esvaziados. Michalis Christoforakis, proprietário de um hotel em Agia Galini, afirmou que o clima entre os visitantes foi de apreensão, especialmente durante as horas mais críticas da evacuação.
"Algumas pessoas estavam preocupadas", disse. Segundo ele, porém, o processo transcorreu sem maiores incidentes. "Não houve nenhum movimento de pânico", relatou.
O retorno gradual dos visitantes foi considerado um sinal de melhora, embora as autoridades continuassem monitorando o comportamento do incêndio e mantivessem estado de alerta. A permanência de ventos intensos ao longo do dia impedia qualquer declaração de encerramento do risco.
Governo alerta para período mais crítico do verão
Enquanto as equipes atuavam em Creta, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis aproveitou uma reunião do conselho de ministros para fazer um alerta sobre as próximas semanas:
"Ainda temos dias difíceis pela frente. E agosto é, tradicionalmente, um mês complicado", afirmou.
O aviso tem peso especial porque a Grécia passou o início do verão europeu relativamente menos atingida por grandes ondas de calor e incêndios de grande escala do que outros países do sul da Europa.
Ainda assim, a Proteção Civil grega classificou como muito elevado o risco de incêndios em diversas regiões do país nesta quinta-feira (30). Além de Creta, estavam sob alerta reforçado a região de Atenas, o leste do Peloponeso e grande parte das ilhas do mar Egeu.
O nível de risco foi fixado em 4, em uma escala de 5, um dos patamares mais elevados adotados pelas autoridades.
A Grécia está entre os países mediterrâneos mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Verões cada vez mais quentes, secas prolongadas e ondas de calor mais frequentes vêm ampliando o risco de incêndios florestais de grandes proporções, fenômeno que se repete com intensidade crescente nos últimos anos.
Com AFP
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