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Homem que matou 6 pessoas em feira de Natal na Alemanha em 2024 é condenado à prisão perpétua

O autor do ataque à feira de Natal de Magdeburg foi condenado à prisão perpétua nesta sexta‑feira (26) por um tribunal alemão. O atentado deixou seis mortos e mais de 300 feridos na cidade, no leste da Alemanha, no fim de 2024.

26 jun 2026 - 10h57
(atualizado às 11h13)
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O Tribunal de Magdeburgo considerou Taleb Jawad al‑Abdulmohsen, de 51 anos, culpado, entre outras acusações, por seis homicídios. A corte também considerou que o crime teve "gravidade particular", uma categoria jurídica que, na prática, torna extremamente difícil a concessão de liberdade antecipada.

Taleb al‑Abdulmohsen, condenado à prisão perpétua pelo ataque à feira de Natal de Magdeburg, na Alemanha, durante audiência em um tribunal regional da cidade, nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026.
Taleb al‑Abdulmohsen, condenado à prisão perpétua pelo ataque à feira de Natal de Magdeburg, na Alemanha, durante audiência em um tribunal regional da cidade, nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026.
Foto: REUTERS - Fabrizio Bensch / RFI

O réu tinha como alvo "um número muito elevado de vítimas" e "aceitou que qualquer pessoa na trajetória de seu veículo pudesse ser morta ou gravemente ferida", afirmou o juiz Dirk Sternberg. Em seguida, o magistrado detalhou os ferimentos sofridos por cada vítima. Diante do elevado número de atingidos, o tribunal montou uma sala de audiências temporária para o julgamento.

Al‑Abdulmohsen, psiquiatra saudita, chegou ao tribunal algemado, vestindo calça jeans e camisa azul de mangas compridas. Em 20 de dezembro de 2024, dirigindo em alta velocidade um SUV compacto BMW X3, o médico avançou sobre a multidão, matando um menino de nove anos e cinco mulheres com idades entre 45 e 75 anos, além de ferir mais de 300 pessoas.

Perfil "islamofóbico"

O ataque intensificou o debate sobre imigração e aumentou a pressão sobre o então chanceler social‑democrata Olaf Scholz, em meio à campanha eleitoral da época. O caso também trouxe à memória o atentado de dezembro de 2016, quando um extremista islamista matou 12 pessoas ao lançar um caminhão contra uma feira de Natal em Berlim.

Após o ataque, as autoridades alemãs destacaram o perfil "islamofóbico" de Taleb Jawad al‑Abdulmohsen, que havia manifestado publicamente, nas redes sociais, simpatia pelo partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Refugiado no país desde 2006, ele já era conhecido das autoridades e havia sido multado anteriormente por fazer ameaças de violência.

O médico acusava as autoridades alemãs de não protegerem adequadamente os cidadãos sauditas que deixavam seu país por motivos religiosos ou políticos, ao mesmo tempo em que, segundo ele, demonstravam generosidade com outros refugiados muçulmanos do Oriente Médio.

Desejo de vingança contra a Alemanha

Ao cometer o ataque, al‑Abdulmohsen buscava "chamar a atenção do público para suas causas", afirmou o juiz Dirk Sternberg. Segundo ele, a perda de uma ação judicial contra uma associação de refugiados sediada em Colônia e uma "ferida narcísica" contribuíram para alimentar um desejo de "vingança contra a população alemã, que ele assimilava ao Estado".

Durante o julgamento, o condenado fez declarações por vezes confusas, permeadas por teorias da conspiração, e chegou a realizar uma greve de fome, que obrigou o tribunal a prosseguir temporariamente sem sua presença. Ele admitiu ter planejado o ataque e conduzido o veículo alugado. O juiz ainda destacou que o réu "visitou Magdeburgo várias vezes", entre novembro e dezembro de 2024 para preparar o atentado.

As avaliações psiquiátricas concluíram que, apesar de um transtorno de personalidade narcisista, o réu era plenamente imputável, sem comprometimento de sua capacidade de discernimento, e que continuava a representar um perigo.

A promotoria e os representantes das vítimas destacaram sua falta de remorso. "Nunca me deparei com tanto sofrimento em um único processo criminal. E, infelizmente, até o fim, o réu não conseguiu compreender a dimensão da dor que causou às pessoas", afirmou Ina Alexandra Tust, advogada que representa a família de uma das vítimas.

Com AFP

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