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França teme prejuízos bilionários após incêndio na região de Bordeaux

O incêndio que já destruiu cerca de 42 mil hectares de floresta nos arredores de Bordeaux, no departamento francês da Gironda, deve trazer prejuízos econômicos em grande escala e levou o governo francês a convocar uma reunião para esta quinta-feira (30) com empresas afetadas. Embora os bombeiros considerem o fogo estabilizado e os focos ativos tenham diminuído, as autoridades alertam que a nova onda de calor prevista para os próximos dias ainda pode provocar a retomada das chamas.

28 jul 2026 - 07h22
(atualizado às 07h28)
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O Serviço Departamental de Incêndio e Resgate afirma que a situação melhorou em relação aos momentos mais críticos, mas ressalta que os bombeiros ainda não dominam completamente as chamas. As autoridades locais descreveram a noite como relativamente tranquila, sem avanço significativo do fogo, mas ainda sem condições para o retorno dos moradores retirados de suas casas.

A área mais afetada é a floresta das Landes de Gascogne, nos arredores de Bordeaux. Desde 22 de julho, o incêndio já consumiu uma área equivalente a cerca de quatro vezes a cidade de Paris. Formado por extensas plantações de pinheiro-marítimo, o maciço florestal é uma das bases da indústria madeireira do sudoeste da França. Com 1,2 milhão de hectares, a floresta sustenta cerca de 34 mil empregos diretos e movimenta aproximadamente € 10 bilhões por ano.

Além dos danos ambientais, o incêndio ameaça uma das principais cadeias produtivas da região. As características da floresta levaram os bombeiros a adaptar suas técnicas de combate ao fogo. Em vez de apenas cercar as chamas, as equipes precisam avançar mata adentro para conter o incêndio e proteger áreas produtivas. Segundo os responsáveis pela operação, o objetivo é preservar não apenas moradores e o meio ambiente, mas também um importante setor econômico regional.

Considerada a maior floresta da França, a Landes de Gascogne representa cerca de 17% da área florestal do país. Ela é especialmente vulnerável a incêndios devido à predominância do pinheiro-marítimo, à intensa exploração florestal e à proximidade de áreas habitadas, inclusive da região metropolitana de Bordeaux. Diante desse cenário, especialistas defendem a criação de grandes aceiros, uma espécie de barreira corta-fogo, para limitar a propagação das chamas e evitar novas perdas em larga escala.

Prejuízos econômicos incalculáveis

As consequências do incêndio já preocupam a economia local. O governo francês convocou uma reunião para esta quinta-feira (30), em Paris, com representantes dos setores mais afetados pela tragédia. Entre as medidas em estudo está a ampliação do regime de desemprego parcial para trabalhadores cujas atividades foram interrompidas pelas chamas.

Em encontros de emergência com autoridades do governo, representantes do setor de seguros pediram uma resposta rápida para lidar com o volume crescente de indenizações. Diante de uma catástrofe sem precedentes na região, entidades empresariais relatam uma demanda recorde por apoio e orientação.

Segundo o jornal La Croix, o impacto econômico tende a ser "catastrófico" também para o turismo e para a produção de vinhos, duas atividades fundamentais para a região de Bordeaux. Empresários afetados pelas evacuações relatam perdas significativas. A proprietária de um hotel próximo ao balneário de Arcachon afirmou ao jornal que acumulou prejuízos de € 50 mil em apenas uma semana, após cancelar reservas e dispensar funcionários temporários.

A região de Bordeaux é um dos principais destinos turísticos do oeste da França, sustentando mais de 40 mil empregos e gerando cerca de € 3,2 bilhões em receitas diretas. De acordo com o jornal Le Figaro, hotéis, campings, restaurantes, bares e lojas vivem uma situação de paralisia em plena alta temporada de verão.

O diário econômico Les Echos afirma que ainda é impossível calcular com precisão o prejuízo total causado pelo incêndio, já que os focos não foram completamente extintos.

Vista aérea do município de Le Porge, na Gironda, devastado pelos incêndios, em 27 de julho de 2026.
Vista aérea do município de Le Porge, na Gironda, devastado pelos incêndios, em 27 de julho de 2026.
Foto: RFI

Qualidade do ar preocupa autoridades

As autoridades de saúde também alertam para a piora da qualidade do ar em grande parte do sudoeste. Os níveis de partículas finas ultrapassaram os limites de alerta em diversas áreas, incluindo a região de Bordeaux. Como medida preventiva, 3,5 milhões de máscaras FFP2 serão distribuídas até quarta-feira (29). As recomendações incluem o uso de proteção pelos grupos mais vulneráveis, além de manter portas e janelas fechadas e evitar atividades físicas intensas ao ar livre.

Apesar da gravidade da situação, o governo francês pede que os turistas não cancelem viagens para a região de Bordeaux. As autoridades afirmam que parte das áreas evacuadas poderá ser reaberta em agosto, permitindo uma retomada gradual das atividades turísticas.

Embora os principais focos estejam estabilizados, os serviços de emergência alertam que a onda de calor prevista para os próximos dias mantém o risco de novos incêndios. As altas temperaturas ressecam ainda mais a vegetação e, combinadas com ventos e baixa umidade do ar, podem reativar brasas e espalhar fragmentos em chamas por longas distâncias, provocando novos focos em áreas ainda preservadas.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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