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França: ministro do Interior admite falha de antecipação dos tumultos de 17 de outubro

O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, reconheceu nesta terça-feira (3) uma "falta de antecipação" das autoridades diante dos distúrbios de 17 de outubro. Tumultos, saques e episódios de violência ocorreram em várias cidades francesas à margem das manifestações.

3 nov 2026 - 15h20
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Resumo
O ministro do Interior da França admitiu à Assembleia Nacional ter falhado em antecipar os violentos tumultos de 17 de outubro, que dispersaram a polícia com atos simultâneos pelo país. Os protestos contra o custo de vida mobilizaram até 800 mil pessoas e causaram danos que podem superar € 1 bilhão. Apesar de reconhecer o fracasso operacional e a mutilação de um jovem por granada, o ministro defendeu a ação policial e manteve o uso de armas de dispersão para a autodefesa da tropa.

Em depoimento a uma comissão de inquérito da Assembleia Nacional, Nuñez admitiu ter havido uma "falta de antecipação, que antes de tudo, foi minha" diante de fenômenos que já haviam sido identificados pelos serviços de inteligência, mas que ocorreram "simultaneamente" em diferentes pontos do país, "a ponto de dispersar e sobrecarregar o dispositivo policial". 

Segundo ele, os serviços de inteligência haviam alertado para os riscos daquele dia, mas as autoridades não previram que os diferentes focos de tensão ocorreriam ao mesmo tempo e se reforçariam mutuamente, criando uma situação inédita e mais ampla do que o esperado.

Nuñez também admitiu um "fracasso" na gestão da ordem pública naquele dia, embora tenha ressaltado que esse fracasso "não pressupõe, por si só, uma falha dos serviços do Estado". A comissão busca esclarecer a preparação das autoridades, os meios de inteligência disponíveis e possíveis falhas no esquema de segurança à margem dos protestos.  

O ministro também afirmou lamentar o caso de Evan, estudante de 15 anos que teve a mão arrancada por uma granada de efeito moral durante o bloqueio de seu colégio em Lens, no norte da França. No entanto, defendeu o uso desse tipo de armamento, alegando que "o contexto para o emprego da força estava reunido".

Durante outra audiência no Parlamento, o ministro também defendeu a manutenção do uso de meios intermediários de dispersão, como granadas e gás lacrimogêneo, afirmando que não pretende abrir mão desses recursos porque "os policiais precisam se defender quando são alvo de agressões" durante manifestações. 

Contexto das manifestações de 17 de Outubro 

Os protestos de 17 de outubro marcaram o início de um amplo movimento de contestação social na França contra o aumento do custo de vida, em um contexto de crise energética e alta dos preços dos combustíveis. A mobilização reuniu diferentes grupos, entre eles estudantes do ensino médio, universitários e integrantes do movimento dos "coletes amarelos", levando entre 550 mil e 800 mil pessoas às ruas em todo o país. 

Embora a maioria das manifestações tenha ocorrido de forma pacífica, o dia foi marcado por confrontos violentos com forças de segurança à margem dos atos, além de saques e atos de vandalismo em diversas cidades.

Os episódios mais graves ocorreram em Paris, perto do Palácio do Eliseu e da avenida Champs-Élysées, onde manifestantes ergueram barricadas. Distúrbios também foram registrados em cidades como Limoges, Bordeaux, Lille, Lyon, Marselha, Estrasburgo e Rouen.

Em Limoges, a prefeitura foi destruída por um incêndio criminoso. Os prejuízos foram estimados em valores que podem superar os registrados durante os distúrbios após a morte, por um policial, de Nahel Merzouk, de 17 anos, em 2023, aproximando-se ou até ultrapassando € 1 bilhão.

Os escombros do telhado da prefeitura de Limoges, devastada pelas chamas, em 18 de outubro de 2026.
Os escombros do telhado da prefeitura de Limoges, devastada pelas chamas, em 18 de outubro de 2026.
Foto: RFI

RFI com Franceinfo

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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