França convoca embaixador do Irã após acusações de repressão a protestos estudantis: 'desinformação de Teerã'
A França convocou nesta quarta-feira (7) o embaixador da República Islâmica do Irã em Paris para questionar o que classificou como uma campanha de desinformação promovida por Teerã sobre repressão aos movimentos de estudantes do ensino médio e universitários franceses. Um novo dia de mobilização previsto para quinta-feira (8).
A França convocou o embaixador do Irã após Teerã acusar Paris de violar direitos humanos e reprimir com violência protestos estudantis franceses. O governo francês classificou as críticas como provocações inadmissíveis e parte de uma campanha de desinformação iraniana, rejeitando a convocação prévia de seu representante diplomático. O episódio acirra a recente crise diplomática entre os dois países, já desgastada por divergências mútuas e pelo fechamento de centros culturais em Teerã.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da França considerou "absolutamente inadmissíveis" as informações divulgadas por contas oficiais da diplomacia iraniana nas redes sociais e criticou a convocação, na véspera, do embaixador francês em Teerã pelas autoridades iranianas.
"Essas provocações inaceitáveis devem cessar", diz o comunicado do ministro da Europa e das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot.
A tensão entre os dois países aumentou após declarações de autoridades iranianas sobre a forma como a França vem lidando com a mobilização estudantil, iniciada em 17 de setembro na região de Paris e posteriormente ampliada para diversas cidades do país.
No domingo (4), o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, condenou o que chamou de "violência desproporcional" das forças de segurança francesas contra os manifestantes. Segundo ele, a repressão ao movimento seria "injustificável" e Paris deveria respeitar os direitos e as liberdades fundamentais dos cidadãos.
As críticas iranianas ganharam força depois dos confrontos registrados na sexta-feira (2), quando uma nova jornada de bloqueios de escolas terminou com mais de 1.700 detenções em todo o país.
Enquanto as mobilizações dos alunos do ensino médio na França continuam nesta quarta-feira, o governo afirma que a mobilização está em "recuo", com "459 escolas com suspensão total ou parcial das aulas", contra 891 no dia anterior. Paralelamente, os sindicatos da Educação convocam greve e manifestação na quinta-feira (8) para continuar apoiando o movimento dos alunos do ensino médio.
Irã denunciou "resposta violenta" das autoridades francesas
Na terça-feira (6), Teerã convocou o embaixador francês no Irã, Pierre Cochard. O governo iraniano denunciou uma "resposta violenta" das autoridades francesas aos protestos estudantis e acusou as forças de segurança de cometer violações dos direitos humanos durante as manifestações. A diplomacia iraniana também afirmou ter lembrado à França de suas obrigações internacionais na área dos direitos fundamentais.
Em resposta, Paris acusou o Irã de divulgar informações falsas sobre a situação na França e rejeitou as críticas de Teerã. Para o governo francês, a convocação do embaixador francês foi "infundada" e faz parte de uma campanha de desinformação das autoridades iranianas.
O episódio ocorre em um contexto de relações já deterioradas entre os dois países. Nas últimas semanas, França e Irã trocaram acusações diplomáticas após o fechamento do Centro de Língua Francesa em Teerã e divergências envolvendo diplomatas franceses que atuavam na capital iraniana.
Com agências
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