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França: com adesão de universitários, mobilização estudantil bloqueia faculdades às vésperas de novo ato

Às vésperas de uma nova mobilização nacional de estudantes do ensino médio na França, reitores de universidades ocupadas por manifestantes vêm decidindo pelo fechamento administrativo das unidades, paralisando as atividades e deixando parte dos alunos sem aulas.

12 out 2026 - 16h20
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Resumo
Às vésperas de uma nova manifestação nacional, a mobilização estudantil na França ganhou a adesão de universitários, resultando no bloqueio e fechamento de diversas faculdades e dezenas de escolas de ensino médio, sobretudo em Paris. Os protestos demandam mais verbas para os serviços públicos e provocam a suspensão de aulas presenciais e virtuais, gerando apreensão sobre a realização dos exames nacionais de residência médica. Diante da tensão, o presidente Emmanuel Macron pediu calma e ordem.

Uma nova mobilização, chamada de "Ato Cinco", está prevista para esta terça-feira (13). Nesta segunda-feira (12), escolas continuavam bloqueadas ou com atividades interrompidas em várias cidades: na região metropolitana de Paris, cerca de 80 instituições de ensino médio eram afetadas. 

Estudantes universitários em volta de barricadas em frente à École des Mines, uma das faculdades de engenharia de Paris, em 9 de outubro de 2026.
Estudantes universitários em volta de barricadas em frente à École des Mines, uma das faculdades de engenharia de Paris, em 9 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Pedro Nunes / RFI

Considerando o cenário nacional, entretanto, o Ministério da Educação Nacional aponta que 96,5% das escolas permaneceram abertas, embora tenha relatado uma intensificação de incidentes um dia antes das novas manifestações.

A mobilização deve ocorrer "com calma, ordem e respeito tanto às pessoas quanto ao patrimônio", pediu o presidente francês, Emmanuel Macron, que tem se pronunciado pouco sobre o movimento estudantil, que começou nos arredores de Paris em meados de setembro, antes de se espalhar por toda a França.

Universidades fechadas

Em apoio ao movimento encabeçado por alunos do ensino médio, estudantes universitários também aderiram à greve e passaram a ocupar unidades em diferentes regiões - em alguns casos, há cerca de dez dias. 

"Estamos bloqueando há uma semana e planejamos continuar por mais uma semana, até o próximo sábado, 17 de outubro", disse à AFP Shirin Kharroubi, de 19 anos, estudante de ciências sociais da Universidade Paris Cité, ressaltando que as ações visam exigir "mais verbas para o serviço público".

Salomé, estudante de 25 anos do curso de edição na Fémis, escola de cinema de Paris, compareceu nesta segunda-feira em frente à instituição para participar de uma manifestação. "Tentamos sair da escola justamente para poder nos reunir com outros estudantes de artes, unir nossas reivindicações e criar uma mobilização mais forte", disse ela à AFP.

Na região de Paris, os estudantes que participam do movimento deslocam-se de um bloqueio para outro. "De manhã, recebemos uma mensagem informando que precisavam de ajuda para bloquear a Catho e a Dauphine", relatou Alice de Brito, estudante e membro da União Nacional dos Estudantes da França (Unef), em referência ao Instituto Católico de Paris e à Universidade Paris-Dauphine.

Diante dos bloqueios, reitores dessas instituições optaram por fechar administrativamente as unidades, paralisando as atividades e deixando parte dos estudantes sem aulas. Na Sorbonne, por exemplo, desde 5 de outubro, "apesar das medidas implementadas para garantir a abertura de todas as unidades, o funcionamento normal da universidade está sendo fortemente afetado pelos bloqueios", reconheceu a direção. 

A Sorbonne Nouvelle, por sua vez, também fechou seu campus no 12° distrito da capital e manterá assim ao longo desta terça-feira, data dos novos protestos. 

A reitoria de Paris não divulga informações sobre a situação geral das instituições, mas várias instituições mantêm seus alunos informados diariamente pelas redes sociais. A Universidade Paris-Est Créteil anunciou o fechamento de 7 a 13 de outubro, enquanto a Universidade de Rouen, no noroeste da França, esteve fechada durante três dias. 

Em Tours, "no curso de Direito, estamos parados há uma semana", atesta Clara Juillet, de 18 anos, estudante do primeiro ano. "Há bloqueios constantes. Temos aulas por videoconferência, mas nem sempre elas conseguem acontecer, porque ocorrem 'bloqueios virtuais'." 

A continuidade dos bloqueios preocupa os mais de 10 mil estudantes de medicina que iniciaram, nesta segunda-feira, as provas do concurso de residência médica, etapa decisiva para a escolha de suas especialidades. Como o concurso é de âmbito nacional, qualquer perturbação em apenas um dos centros de exame pode acarretar o cancelamento em todos os demais.

RFI com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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