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"Encurralado", Macron aceita renúncia de Bayrou e promete anunciar novo premiê nos próximos dias

Tão efêmera como o seu governo, a apresentação oficial da renúncia de François Bayrou ao presidente francês, Emmanuel Macron, durou pouco mais de uma hora nesta terça-feira (9). Após uma rápida conversa entre os dois líderes, o Palácio do Eliseu anunciou por meio de uma nota que "a demissão foi aceita". Mas, para a imprensa francesa, Macron está "encurralado".

9 set 2025 - 12h13
(atualizado às 12h28)
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Tão efêmera como o seu governo, a apresentação oficial da renúncia de François Bayrou ao presidente francês, Emmanuel Macron, durou pouco mais de uma hora nesta terça-feira (9). Após uma rápida conversa entre os dois líderes, o Palácio do Eliseu anunciou por meio de uma nota que "a demissão foi aceita". Mas, para a imprensa francesa, Macron está "encurralado".

François Bayrou apresentou sua renúncia ao presidente francês nesta terça-feira (9). Foto de arquivo.
François Bayrou apresentou sua renúncia ao presidente francês nesta terça-feira (9). Foto de arquivo.
Foto: AFP - LUDOVIC MARIN / RFI

"O primeiro-ministro, juntamente com os membros do governo, assegura o tratamento dos assuntos recorrentes até a nomeação de um novo governo", afirma o comunicado divulgado pela sede da presidência francesa após o encontro. Segundo a nota, Macron irá nomear um novo primeiro-ministro nos próximos dias.

A decisão de Bayrou ocorreu depois que a Assembleia dos Deputados se recusou a lhe conceder um voto de confiança na segunda-feira (8). Dos 577 parlamentares, 364 votaram contra, enquanto 194 deputados da coalizão governista se pronunciaram a favor da política do premiê. A votação foi convocada pelo próprio chefe de governo no último 24 de agosto, quando apresentou seu plano orçamentário para 2026, que previa € 44 bilhões (cerca de R$ 279 bilhões) em cortes.

Bayrou, de 74 anos, ficou apenas nove meses no cargo, sucedendo outros três primeiros-ministros durante o segundo mandato de Macron: Élisabeth Borne, Gabriel Attal e Michel Barnier. O fracasso do premiê de se manter no poder e validar sua política centrada em economias aprofunda ainda mais a crise na França. O país vive um impasse desde as eleições legislativas antecipadas de 2024, vencida pela aliança da esquerda Nova Frente Popular, mas sem jamais conseguir convencer Macron a nomear um chefe de governo progressista.

Saída para a crise

A questão da nomeação de um primeiro-ministro de esquerda volta novamente à tona, deixando Macron "encurralado" na linha de frente para encontrar uma saída para a crise, diz o jornal Libération. O presidente francês precisa, mais uma vez, encontrar uma fórmula para resolver uma equação política impossível. Compromisso entre os partidos é a palavra-chave para superar a crise e aprovar o orçamento do país para 2026, que deve ser apresentado até 7 de outubro, avalia o diário.

A proposta orçamentária, que provocou a queda de Bayrou, será o grande desafio do novo primeiro-ministro, com o desafio de encontrar um nome capaz de sobreviver em um cenário parlamentar sem maioria. Alguns nomes circulam, mas o presidente não deu ainda pistas sobre quem poderá assumir o cargo. O jornal Le Parisien antecipa que o novo chefe de governo será um centrista — de direita ou de esquerda — e denuncia um status quo que só tende a ampliar a colossal dívida francesa.

Ao anunciar uma nomeação em breve, Macron descarta os pedidos de convocação de eleições legislativas antecipadas ou de sua renúncia, feitos pelos partidos França Insubmissa (de esquerda radical) e Reunião Nacional (de extrema direita). Ambas as siglas insistem que a salvação virá das urnas. No entanto, analistas ressaltam que uma nova eleição legislativa poderia fragmentar ainda mais o Parlamento. A falta de uma maioria na Assembleia levou à queda de dois primeiros-ministros em um ano.

Macron sob pressão

Macron é apontado pelos jornais como responsável pela situação. O presidente está sob pressão e deve enfrentar uma crise que ganha proporções alarmantes, aponta o jornal Le Figaro. O diário conservador pede que o líder centrista aja rapidamente e nomeie, sem demora, um primeiro-ministro "de direita para adiar, por alguns meses, uma nova dissolução da Assembleia Nacional".

Enquanto isso, o bloco da esquerda continua lembrando o presidente que venceu as eleições do ano passado. Socialistas e ecologistas reivindicam a liderança do governo. 

Seja de direita, centro ou esquerda, o novo primeiro-ministro precisa ser nomeado com urgência para evitar que a crise política e econômica se agrave ainda mais, diz o jornal Les Echos, lembrando que a queda do governo não desmobilizou o movimento de protesto "Vamos bloquear tudo", que ameaça paralisar o país nesta quarta-feira (10).

Na noite de segunda-feira, milhares de franceses já saíram às ruas para festejar a queda do governo, e mostrar seu engajamento no movimento que ameaça paralisar o país.

Segundo o Les Echos, o impasse político também preocupa os mercados, principalmente devido ao agravamento da divida francesa e do déficit publico que deve atingir 6,1% do PIB em 2026 se nada for feito.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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