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Desconexão de cabo causou acidente do Elevador da Glória em Lisboa

O acidente com o bonde que deixou 16 mortos em Lisboa ocorreu após a desconexão do cabo entre as duas cabines. A revelação foi feita em uma nota divulgada neste sábado (6) pelo Gabinete de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários (GPIAAF), que ainda deverá divulgar um relatório preliminar sobre as causas da tragédia dentro de 45 dias.

7 set 2025 - 09h48
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O acidente com o bonde que deixou 16 mortos em Lisboa ocorreu após a desconexão do cabo entre as duas cabines. A revelação foi feita em uma nota divulgada neste sábado (6) pelo Gabinete de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários (GPIAAF), que ainda deverá divulgar um relatório preliminar sobre as causas da tragédia dentro de 45 dias. 

Destroços do bondinho da Glória, em Lisboa
Destroços do bondinho da Glória, em Lisboa
Foto: AFP - PATRICIA DE MELO MOREIRA / RFI

A inspeção visual realizada na manhã do dia do acidente, na quarta-feira (3), não detectou nenhuma anomalia no cabo, que havia sido instalado há 337 dias. De acordo com o GPIAAF, a área onde ele se rompeu precisa ser desmontada para análise.

A Carris, empresa gestora dos transportes lisboetas, afirmou várias vezes desde o acidente que a manutenção do veículo, feita há anos por uma empresa terceirizada, sempre foi realizada dentro dos prazos.

Segundo a nota, a investigação visa avaliaros procedimentos de manutenção, condições das inspeções, qualificação dos técnicos envolvidos, fiscalização da prestação de serviços pela contratante e critérios de escolha da empresa.

De acordo com os primeiros dados da investigação, o impacto ocorreu a cerca de 60 km/h, quando o funicular colidiu com um edifício após perder o controle em uma ladeira no centro da cidade.

As cabines do bondinho são conectadas por um cabo que equilibra o peso por meio de uma grande roda situada no topo da Calçada da Glória, em um compartimento subterrâneo.

Às 18h do dia 3 de setembro, o funicular estava com as cabines estacionadas nas respectivas estações. O número exato de passageiros em cada uma ainda não é conhecido. Poucos minutos depois, as cabines iniciaram o trajeto. Instantes após a partida, e após percorrer cerca de seis metros, perderam subitamente a força de equilíbrio garantida pelo cabo de conexão.

A cabine número 2 recuou bruscamente. A cabine número 1, no topo da Calçada da Glória, continuou a descida, aumentando a velocidade, apesar das tentativas do condutor de freá-la.

Cerca de 170 metros após o início do trajeto, no começo de uma curva à direita, o veículo descarrilou, começou a tombar e perdeu totalmente o controle, colidindo contra a parede de um edifício à esquerda da Calçada.

Em seguida, bateu de frente em um poste e em um suporte da rede elétrica aérea do elevador, ambos de ferro fundido. Os impactos causaram danos significativos à estrutura. O veículo parou após atingir a esquina de outro edifício.

Relatório final 

O GIAAF deve publicar um relatório preliminar em até 45 dias, com as primeiras conclusões da investigação. O relatório final, com eventuais recomendações de segurança, deve ser divulgado em até um ano. Caso o prazo não seja cumprido, os investigadores poderão publicar um relatório intermediário.

O acidente deixou 16 mortos, sendo cinco portugueses e onze estrangeiros: três britânicos, dois sul-coreanos, dois canadenses, uma francesa, um suíço, um americano e um ucraniano. Vinte e três pessoas ficaram feridas.

Com agências

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