Desconexão de cabo causou acidente do Elevador da Glória em Lisboa
O acidente com o bonde que deixou 16 mortos em Lisboa ocorreu após a desconexão do cabo entre as duas cabines. A revelação foi feita em uma nota divulgada neste sábado (6) pelo Gabinete de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários (GPIAAF), que ainda deverá divulgar um relatório preliminar sobre as causas da tragédia dentro de 45 dias.
O acidente com o bonde que deixou 16 mortos em Lisboa ocorreu após a desconexão do cabo entre as duas cabines. A revelação foi feita em uma nota divulgada neste sábado (6) pelo Gabinete de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários (GPIAAF), que ainda deverá divulgar um relatório preliminar sobre as causas da tragédia dentro de 45 dias.
A inspeção visual realizada na manhã do dia do acidente, na quarta-feira (3), não detectou nenhuma anomalia no cabo, que havia sido instalado há 337 dias. De acordo com o GPIAAF, a área onde ele se rompeu precisa ser desmontada para análise.
A Carris, empresa gestora dos transportes lisboetas, afirmou várias vezes desde o acidente que a manutenção do veículo, feita há anos por uma empresa terceirizada, sempre foi realizada dentro dos prazos.
Segundo a nota, a investigação visa avaliaros procedimentos de manutenção, condições das inspeções, qualificação dos técnicos envolvidos, fiscalização da prestação de serviços pela contratante e critérios de escolha da empresa.
De acordo com os primeiros dados da investigação, o impacto ocorreu a cerca de 60 km/h, quando o funicular colidiu com um edifício após perder o controle em uma ladeira no centro da cidade.
As cabines do bondinho são conectadas por um cabo que equilibra o peso por meio de uma grande roda situada no topo da Calçada da Glória, em um compartimento subterrâneo.
Às 18h do dia 3 de setembro, o funicular estava com as cabines estacionadas nas respectivas estações. O número exato de passageiros em cada uma ainda não é conhecido. Poucos minutos depois, as cabines iniciaram o trajeto. Instantes após a partida, e após percorrer cerca de seis metros, perderam subitamente a força de equilíbrio garantida pelo cabo de conexão.
A cabine número 2 recuou bruscamente. A cabine número 1, no topo da Calçada da Glória, continuou a descida, aumentando a velocidade, apesar das tentativas do condutor de freá-la.
Cerca de 170 metros após o início do trajeto, no começo de uma curva à direita, o veículo descarrilou, começou a tombar e perdeu totalmente o controle, colidindo contra a parede de um edifício à esquerda da Calçada.
Em seguida, bateu de frente em um poste e em um suporte da rede elétrica aérea do elevador, ambos de ferro fundido. Os impactos causaram danos significativos à estrutura. O veículo parou após atingir a esquina de outro edifício.
Relatório final
O GIAAF deve publicar um relatório preliminar em até 45 dias, com as primeiras conclusões da investigação. O relatório final, com eventuais recomendações de segurança, deve ser divulgado em até um ano. Caso o prazo não seja cumprido, os investigadores poderão publicar um relatório intermediário.
O acidente deixou 16 mortos, sendo cinco portugueses e onze estrangeiros: três britânicos, dois sul-coreanos, dois canadenses, uma francesa, um suíço, um americano e um ucraniano. Vinte e três pessoas ficaram feridas.
Com agências