Ataque cibernético afeta início da primária socialista para definir candidato a presidente da França
O primeiro turno das primárias socialistas começou nesta sexta-feira (9), na França. Mas o processo, exclusivamente online, foi imediatamente alvo de um ataque cibernético, que prejudica a votação. Cinco candidatos disputam a indicação do movimento "Choisir 2027", aliança formada pelo Partido Socialista, pelo Place Publique e pela Esquerda Republicana e Socialista (GRS). O escolhido irá disputar a eleição presidencial francesa em abril do ano que vem.
Um ataque cibernético com bots causou lentidão na abertura da primária que definirá o candidato da aliança social-democrata à presidência da França. Apesar do incidente, acionado à Justiça e à agência de segurança, a votação virtual de 140 mil inscritos segue ativa. O eurodeputado Raphaël Glucksmann lidera a disputa contra outros quatro nomes, incluindo Olivier Faure e Ségolène Royal, em um pleito marcado por divergências sobre eventuais alianças com a esquerda radical de Jean-Luc Mélenchon.
Os cerca de 140 mil eleitores inscritos nas primárias precisarão de muita paciência. A votação teve início às 8h da manhã (pelo horário local), mas o ataque cibernético contra a plataforma saturou o sistema e vem atrasando o processo. A ação dos hackers provocou um "fluxo massivo e fictício de conexões" por meio de "bots" (robôs), dificultando o voto.
O ataque não interrompeu o pleito e não representa um risco para os eleitores, garantem os organizadores. Um dirigente socialista informou que conseguiu votar, mas enfrentou "uma longa fila de espera".
A comissão responsável pelas primárias denuncia um "grave ataque a um processo democrático". Ela acrescentou que as três siglas organizadoras da consulta (PS, Place Publique e GRS) acionaram a Justiça. A Agência Nacional Francesa para a Segurança dos Sistemas de Informação (Anssi) também foi acionada, informou o gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.
Primeiro turno
O primeiro turno da primária, que começou nesta sexta-feira, se encerra no sábado (10), quando será definido o candidato à Presidência da República pela aliança social-democrata. Cinco nomes estão na disputa.
O favorito é o eurodeputado do partido Place Publique, Raphaël Glucksmann. Segundo as pesquisas, seu principal adversário é o líder do Partido Socialista (PS), Olivier Faure. Também concorrem à indicação a ex-candidata à Presidência em 2007, Ségolène Royal, o deputado socialista Jérôme Guedj e o deputado da Esquerda Republicana e Socialista (GRS), Emmanuel Maurel.
A votação termina no sábado às 20h, e o resultado será divulgado logo em seguida. Caso seja necessário, o segundo turno será organizado nos dias 16 e 17 de outubro.
Raphaël Glucksmann, que tem entre 10% a 12% das intenções de voto para a eleição presidencial, espera vencer já no primeiro turno. Olivier Faure aparece entre 3% e 5%.
Uma pesquisa do instituto Harris Interactive para os canais M6 e RTL, divulgada nesta sexta-feira, confirma o favoritismo de Raphaël Glucksmann. A sondagem mostra que, após os debates televisivos entre os candidatos, 33% dos franceses têm uma opinião favorável sobre o eurodeputado. O índice sobe para 53% entre os entrevistados que se identificam com a esquerda.
Ségolène Royal aparece logo atrás, com 28% e 47%, respectivamente, à frente de Olivier Faure (24% e 42%). Ainda assim, 28% dos franceses que se posicionam à esquerda não consideraram convincente nenhum dos cinco candidatos.
Eleitorado de perfil incerto
Com uma parcela significativa dos votantes não vinculada aos partidos organizadores e inscrita por meio de uma plataforma específica, o perfil do eleitorado permanece em grande parte desconhecido, aumentando a incerteza sobre o resultado.
Após três debates na TV, marcados por confrontos acalorados entre os candidatos, surgiram vários pontos de divergência, especialmente sobre uma eventual aliança com o partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), de Jean-Luc Mélenchon.
Raphaël Glucksmann e Jérôme Guedj rejeitam firmemente essa possibilidade. Ambos acusam o líder da LFI de utilizar códigos associados ao antissemitismo e argumentam que uma aliança com a legenda levaria à derrota diante da extrema direita.
Os dois também acusam Olivier Faure, Ségolène Royal e Emmanuel Maurel de submissão à LFI, por defenderem uma aproximação entre todas as forças de esquerda na Assembleia Nacional. Por outro lado, Olivier Faure e Ségolène Royal criticam Raphaël Glucksmann por querer se aproximar do centro político.
Na quinta-feira, as tensões aumentaram. Olivier Faure avaliou que uma vitória de Raphaël Glucksmann significaria a "eliminação" do Partido Socialista da eleição presidencial. Ségolène Royal já havia lamentado o que chamou de "tomada de controle" do partido pelo eurodeputado.
Embora o número de eleitores inscritos tenha superado as previsões iniciais, essa votação está muito longe da mobilização que levou François Hollande à vitória nas primárias socialistas de 2012, quando participaram entre 2,6 milhões e 2,8 milhões de eleitores.
O primeiro turno da eleição presidencial francesa, que vai escolher o sucessor de Emmanuel Macron, acontece em 18 de abril de 2027. O segundo turno está marcado para 2 de maio. Por enquanto, a líder do partido de extrema direita, Marine Le Pen, lidera todas as pesquisas e avançaria sem problemas ao segundo turno. Seus principais adversários seriam o ex-primeiro-ministro de centro-direita Édouard Philippe ou o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon.
Com AFP
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