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Air France realiza primeiro voo para o Brasil desde quinta

19 abr 2010 - 08h02
(atualizado às 11h18)
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Lúcia Müzell
Direto de Paris

Os brasileiros que tinham passagem marcada para o Brasil com a companhia Air France vão poder começar a voltar ao País a partir da noite desta segunda-feira. Será o primeiro trecho para território brasileiro a partir da França desde quinta-feira, quando começou o caos aéreo instalado em toda a Europa após a erupção do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia.

Passageiros chegaram cedo para pegar um dos ônibus que começavam a partir às 7h para Toulouse, onde embarcarão para o Brasil
Passageiros chegaram cedo para pegar um dos ônibus que começavam a partir às 7h para Toulouse, onde embarcarão para o Brasil
Foto: Lúcia Müzell / Especial para Terra

O aeroporto de Paris Charles de Gaulle - que normalmente opera o trajeto Paris-Rio de Janeiro ou Paris-São Paulo - permanece fechado e deve reabrir somente na terça-feira. Mas como os aeroportos do sul do país foram autorizados a voltar a operar a partir de hoje, a Air France disponibilizou ônibus que levarão passageiros de sete voos mais procurados até as duas cidades francesas onde partidas internacionais foram autorizadas, Pau e Toulouse. São Paulo foi um dos destinos escolhidos e tem a primeira partida prevista para a noite de hoje, decolando do aeroporto de Toulouse.

Não há previsão de que a Tam ou outras companhias façam o mesmo."Meu voo era para ter saído na quinta-feira à noite. Só quero chegar em casa. Não aguento mais comer pão, croissant e café enquanto espero alguma novidade positiva nesta história toda", afirmou a mineira Edna de Resende, enquanto aguardava a saída do ônibus na manhã desta segunda-feira, no aeroporto Charles de Gaulle. As dez horas de estrada até Toulouse, a essa altura, já eram encaradas com humor. "Dez horas de ônibus não vai ser nada perto de ter passado duas noites dormindo no chão do aeroporto", disse o marido dela, Antônio Teixeira de Resende.

Apesar dos contratempos, nada parecia abalar a descontração das dezenas de brasileiros que aguardavam o embarque no ônibus para enfim começarem a voltar ao Brasil - o trajeto leva mais 11 horas de voo, sem contar as eventuais conexões para outras cidades do País. "Por telefone, o meu patrão me falou que tudo bem, que eu poderia demorar quanto tempo fosse necessário e que o importante era a garantia da minha segurança. Mas eu só vou saber se ele realmente acha isso quando eu voltar", afirmou o engenheiro Robson Monteiro. "Não tem o que fazer nesta situação. Ninguém vai voltar para o Brasil de barco, não é?", disse a dentista Sílvia Furlan, que com Monteiro e os companheiros passavam férias na Europa havia três semanas.

"Estamos supercansados com tanta espera, mas não é isso que vai deixar uma má imagem na nossa viagem. É claro que sempre vamos lembrar que estávamos aqui quando o tal vulcão decidiu entrar em erupção, porém no futuro ainda vamos rir disso tudo", disse o engenheiro Caros Furlan.

A Air France, como todas as demais companhias aéreas, não disponibilizou hospedagem ou refeições para os passageiros prejudicados. O argumento é de que as empresas não têm este tipo de responsabilidade quando a causa do cancelamento dos voos é climática. Sendo assim, os passageiros tiveram de encontrar por conta própria hotéis disponíveis em Paris - tarefa que não é fácil em pleno final de semana do início das férias escolares.

A Air France não estabeleceu prioridades entre os passageiros - quem estivesse esperando um voo desde a quinta-feira não levou qualquer vantagem sobre os que voariam no domingo. Ganhou um assento quem estava no local certo e na hora exata da distribuição dos lugares. "Eu consegui um bilhete numa boa, mas queriam colocar a minha amiga para voar somente no sábado. Apesar de todas as evidências, não foi fácil convencê-los de que não é qualquer um que pode ficar pagando uma semana extra de hotel em Paris e ainda dizer para o chefe que não vai voltar a trabalhar na data combinada", afirmou o argentino Frederico Martiolotti, que mora em São Paulo.

Já o carioca André Breitman relatou que sua esposa, que voava pela American Airlines, teve a passagem remarcada para a próxima sexta-feira e não conseguiu nem reclamar. "Foi automático. Até agora não sabemos se foi só por garantia e se eventualmente ela poderá vir antes disso", disse o produtor de animações digitais. "Ela vai ficar aqui sozinha até conseguir voltar."

Pelo menos 65 mil voos já foram cancelados no continente desde o início da paralisação das atividades. Alguns países, como Alemanha, Suíça e Holanda, planejam retomar os serviços durante a tarde desta segunda, mas os horários estão constantemente sendo postergados. O bloqueio já é o maior prejuízo da história para as companhias aéreas, superando o 11 de Setembro de 2001. A estimativa é de que o setor esteja perdendo 150 milhões de euros por dia com as aeronaves no chão.

Fonte: Especial para Terra
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