EUA atacam Irã pela primeira vez desde julho; Teerã responde lançando mísseis contra bases na Jordânia
Porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã classificou o ataque como um "erro estratégico e fatal do regime Trump" e afirmou que o "inimigo pagará as consequências desse erro de cálculo tanto nas esferas econômica quanto militar".
Os EUA atacaram lançadores de foguetes iranianos na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, para conter o lançamento de minas navais, resultando em dois mortos. Foi a primeira ofensiva americana contra o Irã desde julho. Em resposta, Teerã lançou mísseis contra bases dos EUA na Jordânia, mas os projéteis foram interceptados pelo exército local. O Irã também alegou ter atacado uma base nos Emirados Árabes com drones, intensificando a crise militar e as sanções econômicas na região.
Forças dos Estados Unidos atingiram dois lançadores de foguetes na ilha iraniana de Larak, na região do Estreito de Ormuz, de acordo com o porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), o comandante Tim Hawkins.
"Forças da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) foram observadas preparando-se para lançar foguetes com minas navais no Estreito de Ormuz", disse ele, em declaração citada pela CBS News, parceira da BBC nos EUA.
O Centcom afirmou que realizou uma "ação limitada e precisa" contra "forças que instalavam minas e representavam uma ameaça iminente no Estreito de Ormuz".
Foram os primeiros ataques americanos conhecidos contra o Irã desde o fim de julho. Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas. A organização prometeu "resposta e punição".
O Irã afirmou ter atacado bases militares americanas na Jordânia em resposta. Logo após o comentário, o exército jordaniano informou que havia interceptado oito mísseis.
"Sistemas de defesa aérea interceptaram oito mísseis que violaram o espaço aéreo do Reino na madrugada desta segunda-feira", afirmaram as forças armadas da Jordânia em um comunicado, citando o porta-voz do exército, conforme noticiado pela agência estatal de notícias Petra.
Separadamente, a televisão estatal iraniana afirmou que o Exército iraniano havia atacado com drones uma base aérea nos Emirados Árabes Unidos.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmou, porém, que as informações de que a base aérea de Al-Minhad havia sido alvo eram "infundadas" e acrescentaram terem derrubado um drone.
Donald Trump havia interrompido a campanha militar contra o Irã no final de julho. No início deste mês, o governo americano declarou que havia concluído a remoção de todas as minas da principal rota de navegação do estreito.
Qual é a importância da Ilha de Larak?
A Ilha de Larak fica próxima ao importante porto de Bandar Abbas e está situada exatamente no Estreito de Ormuz, uma via navegável vital para o transporte marítimo global.
Atualmente, o Irã está direcionando o tráfego de petroleiros para passar por essa ilha para inspeção e, segundo relatos, obrigando as embarcações a pagar US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,4 milhões) para atravessar.
Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, classificou o ataque como um "erro estratégico e fatal do regime Trump" e afirmou que o "inimigo pagará as consequências desse erro de cálculo tanto nas esferas econômica quanto militar".
A agência de notícias iraniana Tasnim, ligada à IRGC, informou que o ataque foi realizado por drones. Relatos indicam que duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas, segundo a agência.
Quando declarou, na semana passada, que todas as minas colocadas pelo Irã no Estreito de Ormuz como parte de seus esforços para bloquear a rota haviam sido detonadas ou removidas, Trump afirmou que o Irã havia sido alertado de que qualquer navio ou barco que lançasse novas minas seria destruído.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, descreveu a afirmação de Trump como uma manobra de propaganda enganosa.
O Irã enfrenta uma nova onda de pressão econômica depois que Washington anunciou mais uma campanha de sanções em 24 de agosto, visando isolar ainda mais Teerã e ampliar as sanções secundárias contra seus aliados.
Autoridades iranianas e a mídia estatal, em grande parte, minimizaram o anúncio, tratando-o como uma continuação de medidas econômicas anteriores divulgadas pelos EUA e que, segundo eles, foram comunicadas após o fracasso militar de Washington no conflito recente entre os dois países, que já ultrapassou a marca de seis meses.
Os EUA e Israel lançaram ataques de grande escala contra o Irã em 28 de fevereiro; o Irã respondeu atacando Israel, bases dos EUA e Estados aliados dos americanos no Golfo, chegando a fechar efetivamente o Estreito de Ormuz para o tráfego marítimo.
Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam por ali antes do início da guerra.
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