Irã diz agir em 'legítima defesa' e amplia tensão com ataques a alvos americanos no Golfo
O Irã afirmou nesta segunda-feira (31) ter atacado, em "legítima defesa", alvos militares americanos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, em resposta a bombardeios realizados pelos Estados Unidos. Os últimos ataques americanos contra o Irã haviam ocorrido no fim de julho, quando Washington afirmou estar reagindo a ações iranianas.
A tensão entre EUA e Irã escalou no Estreito de Ormuz após bombardeios americanos deixarem dois mortos, provocando retaliações iranianas com drones e mísseis contra bases na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos. Entrando no sétimo mês, o conflito fez o petróleo ultrapassar os US$ 90 por barril, enquanto os esforços diplomáticos seguem em impasse. Em paralelo às ações militares, Washington amplia sanções econômicas contra os parceiros comerciais de Teerã.
O conflito entra em seu sétimo mês e os esforços diplomáticos para encerrá-lo seguem sem avanços. Os novos ataques contrastam com declarações recentes do governo de Donald Trump, que dizia priorizar a pressão econômica sobre Teerã.
Após o anúncio dos novos bombardeios, os preços do petróleo voltaram a subir. O barril do Brent, referência internacional, ultrapassou a marca simbólica de US$ 90.
"As forças americanas atingiram dois lançadores iranianos na ilha de Larak", localizada no estratégico Estreito de Ormuz, declarou Tim Hawkins, porta-voz do Comando Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), em comunicado enviado à AFP.
Segundo ele, os ataques ocorreram após "forças da Guarda Revolucionária Islâmica terem sido observadas em preparação para lançar foguetes carregados com minas marítimas" no Estreito de Ormuz. O ataque americano deixou dois mortos e dois feridos, de acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim.
Teerã visa aliados dos EUA
Em represália, a Guarda Revolucionária, força militar iraniana, afirmou ter atacado instalações do Exército americano em duas bases aéreas na Jordânia com mísseis balísticos e drones.
As Forças Armadas jordanianas informaram ter interceptado oito mísseis que entraram em seu espaço aéreo, sem especificar a origem dos projéteis.
Teerã afirmou ainda ter atacado com drones uma base nos Emirados Árabes Unidos, "onde estão estacionados helicópteros e tropas americanas", e disse ter derrubado um drone dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz.
Os Emirados Árabes Unidos confirmaram ter "reagido" a um drone proveniente do Irã detectado sobre suas águas territoriais após Teerã declarar ter atacado uma base utilizada pelos Estados Unidos no país. Mas o Ministério da Defesa emiradense negou que tenha havido ataque com mísseis contra a base aérea de Al-Minhad.
Estreito de Ormuz no centro da crise
Nas últimas semanas, o Oriente Médio vivia um período de relativa calma, embora disparos esporádicos continuassem sendo registrados, principalmente no Estreito de Ormuz e em suas proximidades.
Essa passagem marítima, por onde normalmente transitava cerca de um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo, está no centro do conflito. Desde o início da guerra, desencadeada por um ataque israelense-americano contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã tem restringido quase continuamente a navegação na região.
Em resposta, os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos e afirmam estar prontos para "proteger a livre circulação do comércio". O Centcom declarou ter "concluído a remoção de minas das rotas marítimas internacionais".
No entanto, nesta segunda-feira, a Marinha da Guarda Revolucionária afirmou que um "superpetroleiro fora da lei" atingiu duas minas navais ao tentar atravessar o estreito de forma "ilegal", provocando um incêndio a bordo.
As negociações para encerrar o conflito permanecem em impasse após o fracasso de um protocolo de acordo firmado em junho.
"Não buscamos a guerra", declarou o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian. "No entanto, diante de qualquer agressão, jamais ficaremos de braços cruzados", acrescentou, segundo a imprensa estatal, antes de embarcar para o Quirguistão.
Diplomacia e pressão econômica
Pezeshkian participará de uma cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), que também deverá reunir o presidente chinês, Xi Jinping, o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. O Paquistão tem atuado como mediador no conflito.
Diante da impopularidade da guerra e da proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o governo Trump vinha afirmando que privilegiaria a "guerra econômica" contra o Irã, país já submetido a sanções internacionais.
Um novo pacote de sanções "secundárias" foi apresentado. As medidas não atingem diretamente o Irã, mas seus parceiros comerciais, abrangendo setores como ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, presidirá nesta segunda e terça-feira uma reunião com seus homólogos dos países do G20.
Entre eles está a China, principal parceiro econômico de Teerã, que já declarou a intenção de defender "firmemente" seus interesses e sua cooperação com o Irã.
Com AFP
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