Estudantes tomam ruas da Itália e pedem mais dinheiro para escolas e 'menos armas'
Manifestações aumentam pressão sobre Meloni a 1 ano de eleições
Milhares de estudantes protestaram na Itália contra o governo de Giorgia Meloni, exigindo mais verbas para a educação pública e o fim dos gastos militares com a guerra. Os atos, registrados em cidades como Roma e Turim, tiveram confrontos com a polícia, vandalismo e queima de bandeiras. A mobilização estudantil soma-se à insatisfação de agricultores e caminhoneiros com a alta da inflação, ampliando a pressão política sobre a premiê a um ano das eleições legislativas.
Uma onda de insatisfação tomou conta das escolas italianas nesta sexta-feira (16), com estudantes do ensino médio protestando em diversas cidades contra o governo da premiê Giorgia Meloni.
Os jovens pedem mais investimento na educação pública e menos gastos com armamentos, em um movimento que segue o rastro de mobilizações semelhantes vistas recentemente na França e em outros países europeus.
"Dinheiro para as escolas, não para a guerra" e "Menos armas, mais direitos" foram alguns dos slogans entoados pelos estudantes, que foram às ruas após uma série de ocupações de colégios nas últimas semanas.
As manifestações ocorreram em cidades como Roma, Turim, Gênova, Veneza, Pádua, Treviso, Cagliari e Verona.
Na capital, pessoas encapuzadas lançaram artefatos explosivos improvisados, como fogos de artifício e pequenas bombas caseiras, e empurraram contêineres de lixo para o meio da rua.
Os estudantes também queimaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. Segundo o sindicato policial Siulp, pelo menos 18 agentes ficaram feridos durante a marcha diante do Ministério da Educação.
Em Cagliari, na Sardenha, o ato foi batizado de "No Meloni Day". Já em Verona, um grupo de estudantes ateou fogo a cinco contêineres de lixo e a um patinete elétrico estacionado nas proximidades. Segundo relatos, não se tratou de uma simples brincadeira, mas de um ato de protesto após medidas disciplinares impostas pela direção da escola em resposta a brigas ocorridas nas salas de aula.
Em Gênova, manifestantes penduraram bonecos de Meloni e Valditara de ponta-cabeça, em referência à exibição do corpo do ditador fascista Benito Mussolini em Milão, em abril de 1945.
Já em Turim, várias centenas de jovens marcharam gritando palavras de ordem contra o governo, contra a premiê, contra o ministro da Educação, Giuseppe Valditara, e contra o general Roberto Vannacci, líder do novo partido de extrema direita Futuro Nacional. Durante o protesto, pedras e ovos foram lançados contra policiais.
"Este não é mais o momento para diálogo, estamos furiosos.
Não há dinheiro para as nossas escolas, mas há para as guerras deles. Se nesta semana ocupamos 30 escolas, na próxima semana serão 100", disse um manifestante em Turim, em referência ao apoio financeiro e militar da Itália à Ucrânia no conflito contra a Rússia.
Os organizadores estimam que 400 mil pessoas participaram de protestos em toda a Itália nesta sexta-feira, número que não foi confirmado de forma independente.
A onda de protestos acontece enquanto o país começa a aquecer os motores para as eleições legislativas previstas para daqui a um ano, quando Meloni, chefe do governo mais longevo da história republicana italiana, tentará a reeleição contra uma oposição unida.
Além dos estudantes, a premiê enfrenta o descontentamento de agricultores e caminhoneiros com a disparada da inflação, que avançou 4,2% em setembro e atingiu o maior valor em três anos, impulsionada pela alta dos combustíveis e da energia em função das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
Diversas cidades do sul da Itália, a porção do país mais carente em infraestrutura, têm registrado bloqueios de rodovias por caminhoneiros, provocando problemas de abastecimento de mercadorias. .
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