Governo Trump defende invasão da Groenlândia e ameaça uso das Forças Armadas
Presidente dos EUA tem manifestado interesse no território desde o primeiro mandato
Logo após atacar a Venezuela e prender o presidente Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a manifestar publicamente interesse em invadir e anexar a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. Segundo Trump, a ilha é estratégica para os interesses americanos, e o presidente afirmou que "precisa da Groenlândia por motivos de segurança nacional", ressaltando a possibilidade de fazer uso das Forças Armadas.
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Durante o seu primeiro mandato, Trump já havia declarado interesse em comprar a Groenlândia, o que foi prontamente rejeitado. À época, o governo dinamarquês respondeu que a Groenlândia "não está à venda". Ainda assim, em dezembro, Trump afirmou em rede social: "Para fins de Segurança Nacional e de Liberdade em todo o mundo, os Estados Unidos da América consideram que a posse e o controle da Groenlândia são uma necessidade absoluta".
Na segunda-feira, 5, a primeira-ministra Mette Frederiksen afirmou que uma invasão americana ao território significaria a dissolução da aliança militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Em comunicado da Casa Branca à agência Reuters nesta terça, 6, o governo americano reforçou a posição: "O presidente Trump deixou bem claro que a aquisição da Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional dos Estados Unidos e que é fundamental para dissuadir nossos adversários na região do Ártico. O presidente e sua equipe estão discutindo uma série de opções para perseguir esse importante objetivo de política externa e, claro, o uso das Forças Armadas dos EUA é sempre uma opção à disposição do comandante-chefe".
Portugal, França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e a própria Dinamarca divulgaram nesta terça-feira um comunicado conjunto no qual ressaltam a segurança no Ártico como "uma prioridade-chave para a Europa". No texto, os governos pressionam os Estados Unidos a respeitarem "os princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo soberania, integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras".
Os oito Estados-membros da NATO lembraram ainda que a aliança atlântica "deixou claro que a região do Ártico é uma prioridade e que os aliados europeus estão a intensificar seus esforços".
A Groenlândia ocupa uma posição estratégica ao se localizar entre os EUA e a Europa, além de atravessar a passagem marítima que liga o Ártico ao oceano Atlântico. A região também é rica em petróleo, gás natural e minerais.