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Juízes rejeitam contestações de Trump nos Estados

Justiça nega pedidos de recontagem e paralisação de apuração na Geórgia e no Michigan; republicano obtém vitória parcial na Pensilvânia

6 nov 2020 07h28
| atualizado às 13h22
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Conforme a apuração avançava, os caminhos para o presidente Donald Trump se reeleger diminuíam e o republicano intensificava sua ofensiva jurídica contra a possível vitória do opositor, Joe Biden. Nesta quinta-feira, Trump prometeu entrar com ações em todos os Estados onde o democrata conseguir a maioria dos votos. Mas o dia foi de más notícias para os advogados de Trump. Em dois Estados onde o presidente protocolou medidas eleitorais, juízes negaram os pedidos do republicano.

04/11/2020
REUTERS/Carlos Barria
04/11/2020 REUTERS/Carlos Barria
Foto: Reuters

A equipe do presidente abriu processos em Michigan, Geórgia e Pensilvânia para interromper a contagem de votos, e pediu a recontagem em Wisconsin, onde Trump vencia no início da apuração na noite de terça, mas foi derrotado por Biden na reta final. A mesma coisa aconteceu no Michigan.

Na Pensilvânia, a primeira discussão apresentada foi pelo método de contagem de votos - Trump não quer que votos que tenham chegado no dia da eleição sejam contados depois que as urnas fecharam, como prevê a legislação estadual, e pediu a suspensão.

Em pronunciamento, esta noite, Trump disse que se a apuração considerar apenas os "votos legais", ele seria o vencedor. Acrescentou que caso se considerem os votos que chegaram depois, por correio, perderia, acusando os democratas de tentarem "roubar a eleição".

Durante meses antes da disputa Trump denunciou uma suposta fraude nas eleições deste ano, sem apresentar evidências de irregularidades. As contestações judiciais começam localmente, mas podem chegar à Suprema Corte, onde os republicanos acreditam ter maioria de votos. Dos nove magistrados do mais alto tribunal dos EUA, seis foram indicados por presidentes republicanos - sendo três por Trump.

Os democratas acreditavam que só uma vitória por ampla margem poderia evitar a contestação nos tribunais, mas a disputa deste ano está mais competitiva do que as pesquisas projetaram e a campanha de Trump se mostra disposta a intensificar a batalha na Justiça, o último recurso do presidente.

Durante todo o dia, o presidente ficou ativo no Twitter, onde duas vezes escreveu: "Parem a contagem", em letras maiúsculas, e também "Parem a fraude". "Todos os recentes Estados reivindicados por Biden serão legalmente contestados por nós por fraude eleitoral e fraude eleitoral estadual. Muitas provas - basta olhar a mídia. NÓS GANHAREMOS! América Primeiro!", escreveu Trump.

A plataforma ocultou, novamente, três publicações do presidente por entender que a mensagem é "contestável" e poderia "ter informações incorretas sobre como participar de uma eleição ou processo cívico". O Facebook removeu publicações de aliados do presidente com a mensagem "Parem o roubo".

Os advogados de Trump tiveram uma pequena vitória na Pensilvânia, quando uma corte de apelação estadual autorizou que os observadores republicanos fiquem mais perto dos oficiais que fazem a contagem na Filadélfia. Antes, os fiscais indicados por Trump precisavam ficar a 6 metros dos trabalhadores da seção eleitoral, uma distância que foi reduzida para 2 metros.

Um assessor de Trump classificou a decisão como uma "grande vitória legal", em uma postagem que o Twitter classificou como enganosa. Bill Russo, porta-voz da campanha de Biden, disse que a decisão não é relevante. "Não nos importamos se os observadores estão a 5, 4 ou 2 metros de distância, desde que os oficiais eleitorais possam fazer o trabalho deles", afirmou.

À noite, alegando que a medida não estava sendo respeitada, os advogados de Trump pediram a suspensão da contagem, o que não foi atendido.

Em entrevista ao New York Times, James Baker, o ex-secretário de Estado responsável pela batalha legal de George W. Bush nas eleições de 2000, na Flórida, disse que Trump não deveria pedir a paralisação da apuração. "Nunca dissemos 'não contem os votos'. É uma decisão muito difícil de defender em uma democracia."

 

Estadão
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