Americana raptada nem sempre ficou trancada, diz testemunha
Uma testemunha do caso de Jaycee Lee Dugard, sequestrada em 1991, na Califórnia, quando tinha 11 anos e libertada nesta semana, disse que ela nem sempre era mantida presa nos fundos da casa. Ben Daughdrill, que contratou o acusado pelo sequestro Phillip Garrido para serviços de impressão, afirmou ao jornal americano The New York Times, neste sábado, que conheceu pessoalmente a vítima.
Daughdrill visitou, há cerca de um ano, a casa da família Garrido, para checar um serviço de impressão que havia contratado Phillip para fazer. A testemunha disse que foi recepcionada por uma mulher jovem e loira que foi apresentada por Phillip como sendo a filha dele, "Allissa".
"Ela era a pessoa que elaborou os designs; ela fez todo o trabalho de arte; ela era genial", disse Daughdrill. O homem afirmou que com frequência trocou emails e falou ao telefone com "Allissa", que nunca mencionou algo sobre a sua real identidade.
Buscas
A polícia fez buscas, ontem, na casa de Phillip Garrido, o homem acusado de sequestrar uma menina de 11 anos em 1991. Ela foi mantida em um cativeiro, nos fundos da casa de Garrido, por mais de 18 anos. Os inspetores suspeitam, também, que ele é o responsável por uma série de assassinatos de prostitutas ocorrido na região no início da década de 90.
Os corpos das mulheres mortas, na época, foram achados enterrados em um parque industrial de Antioch, onde Garrido trabalhava nos anos 90. Os casos nunca foram solucionados, informou o site BNO News.
Nancy Garrido, 54 anos, a mulher de Phillip, também foi presa e será acusada de tentativa de estupro e agressões sexuais. Phillip enfrentará acusações adicionais devido a seu passado criminoso, que inclui penas por estupro e sequestro.
Os dois suspeitos, que foram detidos na quinta-feira com fiança fixada em US$ 1 milhão negaram as acusações. A jovem permaneceu em paradeiro desconhecido desde 10 de junho de 1991 até que se apresentou em uma delegacia para se identificar e denunciar os fatos, depois que a polícia encontrou Jaycee enquanto faziam outra investigação. Jaycee teve duas filhas com o suposto sequestrador, segundo informou o departamento do xerife de El Dorado.
São duas meninas de 11 e 15 anos que, segundo os primeiros testemunhos, nunca foram alfabetizadas. "Nenhuma delas foi à escola nem visitou um médico", explicou Fred Kollar, do escritório do xerife de El Dorado. "Todos estiveram totalmente isolados", acrescentou.
Em uma vista na casa dos detidos os agentes encontraram uma área oculta na parte posterior do jardim com tendas de campanha e algumas edificações onde, aparentemente, a vítima e as filhas passavam a maior parte do tempo. "Era possível caminhar pelo jardim sem saber que havia outro habitáculo onde se pudesse viver. Não havia nada que fosse suspeito", disse Kollar.
Jaycee viveu durante vários anos fechada nesse local e teve e criou ali duas meninas. O próprio Garrido já mostrou suas primeiras impressões a partir da prisão e, em entrevista ao canal KCRA, de Sacramento, afirmou estar "aliviado" com sua detenção.
"Sinto-me muito melhor agora", ressaltou. "Isto é um processo que precisava acontecer", disse o suspeito, que afirmou que as pessoas ficarão impressionadas quando conhecerem a história ao redor do fato.
"Esperem para escutar o que ocorreu na casa. É algo repugnante que ocorreu comigo a princípio, mas mudei minha vida totalmente", disse. O pai de Phillip Garrido declarou ao jornal Los Angeles Times que seu filho tem um longo histórico de problemas com as drogas de perturbações mentais.