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Espanha encerra representação diplomática em Israel em meio à escalada no Oriente Médio

O governo da Espanha encerrou oficialmente as funções de sua embaixadora em Israel, Ana María Sálomon Pérez, conforme decreto real publicado no jornal oficial nesta quarta-feira (11). A diplomata já havia sido chamada de volta a Madri em setembro de 2025, em meio ao agravamento das tensões entre os dois países, e agora o governo formaliza o fim de seu mandato.

11 mar 2026 - 11h39
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Caso o país decida nomear um novo embaixador ou embaixadora, será necessário apresentar cartas credenciais às autoridades israelenses. O documento, assinado pelo chefe de Estado ou governo de origem, confirma que aquele diplomata é o representante oficial do país. A decisão ocorre enquanto as relações bilaterais vivem um momento crítico, em meio à guerra no Oriente Médio. A Espanha tem se posicionado de forma firme contra as ofensivas israelenses na Faixa de Gaza, considerando-as desproporcionais e denunciando o que descreve claramente como um "genocídio".

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
Foto: REUTERS - Yves Herman / RFI

O governo espanhol de esquerda é uma das vozes europeias mais críticas ao governo de Benjamin Netanyahu desde as represálias realizadas contra a Faixa de Gaza em resposta ao ataque do Hamas no território israelense em 7 de outubro de 2023. O governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez também expressou oposição às operações militares lançadas contra o Irã por forças israelenses e norte-americanas nos últimos meses, reforçando seu posicionamento crítico no plano internacional.

Em setembro de 2025, Madri havia chamado a diplomata de volta após uma série de incidentes diplomáticos, incluindo a aprovação de medidas espanholas para "pôr fim às ações militares em Gaza" e a manifestação de apoio de Sánchez aos protestos pró-Palestina que interromperam eventos públicos, como a Vuelta Ciclista. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, classificou então o primeiro-ministro espanhol de "antissemita" e "mentiroso", aprofundando a crise diplomática.

Reconhecimento do Estado da Palestina

Por sua vez, Israel mantém sua embaixada em Madri sem representante oficial desde 2024, após o governo espanhol ter reconhecido formalmente o Estado da Palestina. A ausência de embaixadores nos dois países reflete o nível elevado de tensão política e diplomática, amplificado pelos recentes conflitos envolvendo Gaza e o Irã, que afetaram profundamente o equilíbrio regional e tiveram repercussões internacionais. 

Analistas apontam que a decisão espanhola é também um sinal político claro dentro da União Europeia, reforçando uma postura crítica frente a Israel e ao mesmo tempo pedindo maior pressão internacional para limitar a violência no Oriente Médio. A crise iraniana, em paralelo, expõe a vulnerabilidade de países europeus diante de ataques e operações militares em uma região estratégica, enquanto Madri busca equilibrar responsabilidade diplomática e defesa de princípios humanitários.

Além do conflito em Gaza, a Espanha se posiciona firmemente contra operações militares contra o Irã conduzidas por forças israelenses e norte-americanas. Especialistas lembram que a escalada no Golfo e no território iraniano amplia o risco de instabilidade energética global, afeta o comércio internacional e pressiona os países europeus a adotarem respostas diplomáticas claras.

Para Madri, a estratégia é equilibrar responsabilidade diplomática com defesa de princípios humanitários, mantendo-se crítica às ações militares sem recorrer a confrontos diretos com Israel. A ausência de embaixadores nos dois países reflete tanto a gravidade do conflito quanto o desafio europeu de mediar a crise.

Enquanto a Espanha avalia como proceder, o país terá de decidir se nomeará um novo embaixador para Tel Aviv ou manterá apenas um encarregado de negócios, o que manteria o nível reduzido de representação diplomática. Observadores internacionais apontam que a decisão também será um indicativo do rumo que Madri pretende adotar em futuras crises do Oriente Médio, especialmente diante da escalada no Irã e das implicações geopolíticas globais.

(Com agências)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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