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Escolha surpresa para ministro da Defesa da Rússia: duro e aliado de Putin

13 mai 2024 - 21h18
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Com zero experiência militar, Andrei Belousov, economista magro de cabelos brancos e religioso ortodoxo que gosta de escaladas, parece uma escolha estranha para novo ministro da Defesa da Rússia no momento em que Moscou trava uma guerra com a Ucrânia. 

Mas seis fontes -- algumas delas já trabalharam com Belousov -- descrevem-no como um insider profissional do governo de fala dura que liderou uma campanha para arrancar dinheiro de grandes negócios para o Estado, provando ter cotovelos afiados o bastante para navegar o sistema. 

Em tempos de guerra, o ministro da Defesa da Rússia precisa supervisionar vastos fluxos financeiros e planejamento econômico e industrial, deixando a administração do dia a dia do campo de batalha para outros.

A habilidade de Belousov para completar tarefas -- tendo arrecadado cerca de 300 bilhões de rublos (equivalente a 3 bilhões de dólares) com um imposto sobre lucros corporativos -- deve ter impressionado o presidente Vladimir Putin. 

E sua indicação sugere a muitos que Putin está moldando a Rússia para uma guerra longa na Ucrânia. 

"(Belausov) é muito organizado, sistemático, duro. Ele gosta de controlar tudo", afirmou uma fonte do governo que trabalhou com Belousov, e se recusou a ser identificado diante da sensibilidade do assunto. 

Mas alguns criticam o ex-vice-primeiro-ministro de 65 anos por fortes opiniões estatistas que, segundo eles, algumas vezes colocam empreendimentos privados em desvantagem. 

"Belousov é meio soviético, uma pessoa muito soviética", disse uma fonte russa com conhecimento da situação. 

"Belousov acredita no Estado, que o Estado é supremo, que o Estado deveria decidir como o dinheiro é gasto", acrescentou a fonte. "Belousov tem um trabalho muito difícil, alguns dos generais provavelmente não gostarão do fato de ele estar lá."

Ele precisará encontrar maneiras de driblar sanções ocidentais, lidar com a persistente inflação e trabalhar em um setor em que alguns se ressentirão de sua falta de experiência e estarão ansiosos para proteger contratos e maneiras de trabalhar estabelecidas há muito tempo. 

ALINHANDO A ECONOMIA E A GUERRA NA UCRÂNIA

A escolha de Putin sugere que ele quer não apenas reforçar o complexo militar-industrial em uma corrida de armas tecnológicas contra a Ucrânia e o Ocidente, mas também aproveitar a economia mais ampla para se aproximar desse objetivo. 

"A prioridade de Putin é a guerra", afirmou Alexandra Prokopenko, ex-conselheira do banco central russo, no X. 

"Guerra de atrito é vencida pela economia. Belousov é a favor de estimular a demanda a partir do orçamento, o que significa que os gastos militares pelo menos não diminuirão, mas crescerão." 

Seu conjunto de habilidades indica que ele não deve estar fortemente envolvido em decisões no campo de batalha, que continuarão sendo prerrogativa do general Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior que manteve seu emprego no momento em que forças russas tentam avançar na Ucrânia, e, em última instância, de Putin. 

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