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Entre ameaças e recuo de Trump, Otan e Dinamarca reforçam segurança no Ártico

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, anunciou nesta sexta-feira (23) que a Otan deverá reforçar a segurança no Ártico, após um encontro com o secretário‑geral da organização, Mark Rutte, e em meio às pressões estratégicas de Donald Trump sobre a ilha.

23 jan 2026 - 09h04
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"Estamos trabalhando juntos para garantir a segurança de toda a Otan e recorreremos à nossa cooperação para reforçar a dissuasão e a defesa no Ártico", escreveu Mark Rutte na rede X após se reunir em Bruxelas com a premiê dinamarquesa. Mette Frederiksen afirmou, por sua vez, que havia um acordo em princípio para "reforçar o engajamento" da Otan na região ártica. 

A primeira‑ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, chega a uma reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, em 22 de janeiro de 2026.
A primeira‑ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, chega a uma reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, em 22 de janeiro de 2026.
Foto: AFP - NICOLAS TUCAT / RFI

"Estamos de acordo que a Otan deve reforçar seu engajamento no Ártico. A defesa e a segurança no Ártico são responsabilidade de toda a aliança", declarou a primeira-ministra dinamarquesa em uma mensagem publicada nas redes sociais.

Mette Frederiksen viajará ainda nesta sexta-feira para Nuuk, capital da Groenlândia, para se encontrar com o primeiro-ministro da ilha, Jens‑Frederik Nielsen. "Não vamos divulgar a data desses futuros encontros, porque o que precisamos agora é diminuir a tensão da situação. Precisamos de um processo sereno", declarou o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (22), durante o Fórum de Davos, que havia obtido um "acesso total" e permanente à Groenlândia após conversas com Rutte, que pediu aos membros da Otan que intensificassem os esforços para afastar as ameaças representadas pela Rússia e a China na região. Ambos teriam concordado em dar continuidade às discussões entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia sobre a atualização de um acordo de 1951 que regula o acesso e a presença das forças armadas americanas na ilha ártica.

"Não somos uma mercadoria"

Donald Trump está particularmente interessado no subsolo da Groenlândia, que abriga vários recursos naturais, mas cuja exploração é difícil. "Observamos um interesse crescente nos últimos cinco ou seis anos, por diferentes razões: a guerra na Ucrânia, a pandemia, a crise climática e agora também a instabilidade geopolítica. Tudo isso provoca uma demanda maior por minérios", explica a ministra Naaja Nathanielsen, responsável pelo Comércio, Energia, Justiça, Igualdade e pelos Recursos Minerais do governo groenlandês.

"Nesse sentido, a Groenlândia vem atraindo cada vez mais atenção. Mas leva, em média, 16 anos para desenvolver uma mina. É um setor lento. Faz parte de nossa estratégia de longo prazo. Não é uma solução rápida para nada", acrescenta. "É claro que, para um groenlandês, a ideia de poder ser comprado ou vendido como uma mercadoria, ou até de ser tomado à força e ocupado por outro país, é simplesmente surreal", descreve a ministra.

"Estamos profundamente tocados por essa situação, porque mais e mais países e líderes percebem hoje que não se trata apenas da Groenlândia. Trata-se de como nos organizamos no mundo ocidental. A situação na Groenlândia servirá de modelo - ou referência - para as democracias e alianças do futuro".

*Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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