Embaixador italiano foi morto por sequestradores, diz testemunha
MP de Roma tenta descobrir autores de crime no Congo
Depoimentos de testemunhas apontam que o embaixador da Itália na República Democrática do Congo (RDC), Luca Attanasio, e o policial militar Vittorio Iacovacci foram mortos por tiros disparados pelo grupo armado que tentava sequestrá-los.
Após a autópsia feita em Roma ter revelado que Attanasio e Iacovacci não foram executados, mas sim morreram em um tiroteio, o Ministério Público italiano determinou o envio de uma equipe da Arma dos Carabineiros para ouvir os relatos de testemunhas oculares do crime.
Entre elas está Rocco Leone, vice-diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA) no Congo e sobrevivente do ataque. Segundo os depoimentos coletados pelos policiais italianos, o embaixador e o carabineiro foram mortos durante um "intenso tiroteio", pelo grupo armado que pretendia sequestrá-los.
Leone ainda reforçou que Iacovacci interveio para tentar tirar Attanasio da linha de fogo entre os bandidos e as forças de segurança. Neste momento, os sequestradores teriam disparado na direção dos dois italianos. O policial morreu no local, enquanto o embaixador chegou a ser levado a um hospital, porém não resistiu aos ferimentos.
O Ministério Público da Itália tenta descobrir os responsáveis pelo ataque e avalia mandar uma nova missão ao Congo. Além disso, pediu para a Justiça do país africano compartilhar os atos de investigação já realizados até o momento.
O MP apura as hipóteses de sequestro com agravante de terrorismo, no caso dos criminosos, e homicídio culposo, suspeita ligada a possíveis negligências nos protocolos de segurança da ONU e do PMA, que organizaram a comitiva do embaixador italiano.
O ataque
Attanasio, embaixador na República Democrática do Congo desde 2017, e Iacovacci viajavam em um comboio do Programa Mundial de Alimentos da ONU que visitaria um projeto de distribuição de comida em escolas.
Pouco depois de deixar a cidade de Goma, no leste do país, a comitiva foi atacada por seis homens armados em uma estrada dentro do Parque Nacional Virunga, santuário natural do Congo e palco da atuação de milícias que disputam a riqueza mineral da região.
Os agressores teriam obrigado os veículos a parar colocando obstáculos na estrada e disparando tiros no ar. Os disparos, no entanto, alertaram os soldados das Forças Armadas do Congo e os guardas florestais de Virunga, que estavam a menos de um quilômetro de distância e se dirigiram para o local.
Nesse momento, os agressores assassinaram o motorista congolês Mustapha Milambo e levaram o restante do grupo para a floresta, onde ocorreu o tiroteio.
O governo da RDC responsabiliza as Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR), grupo que tenta derrubar o presidente do país vizinho, Paul Kagame. As FDLR, no entanto, negam envolvimento e dizem que os culpados devem ser buscados nos exércitos do Congo e de Ruanda.