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Egito confirma prisão de jornalistas sob acusação de ligação com a Irmandade Muçulmana

As autoridades egípcias confirmaram nesta quinta-feira (1°) ter prendido os seis jornalistas da plataforma de investigação Matsadaash, alegando ligações com a Irmandade Muçulmana, proibida no país.

1 out 2026 - 15h52
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Resumo
O governo do Egito prendeu a equipe editorial da plataforma de checagem Matsadaash, acusando-a de divulgar notícias falsas e de ter elos com a Irmandade Muçulmana, alegações feitas sem provas e refutadas pelo veículo. A ação eleva para 26 o número de jornalistas detidos no país e gerou fortes críticas de entidades de direitos humanos e da categoria, que denunciam uma escalada autoritária e um ambiente sufocante contra a liberdade de imprensa e o livre exercício do jornalismo local.

A prisão de toda a equipe editorial, revelada na quarta-feira (30) pela própria plataforma, demonstra uma "escalada na ofensiva contra o trabalho jornalístico" no país, afirmou Lobna Darwish, integrante da Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais (EIPR). Segundo ela, o exercício do jornalismo no Egito se tornou "extremamente perigoso".

O site Matsadaash publicou uma checagem de declarações do ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, sobre o número de refugiados no país.
O site Matsadaash publicou uma checagem de declarações do ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, sobre o número de refugiados no país.
Foto: AFP - KHALED DESOUKI / RFI

Em comunicado, o Ministério do Interior do Egito declarou que a plataforma, considerada "não autorizada", "divulga informações falsas a partir do exterior e distorce os fatos". Segundo o ministério, o site estaria ligado aos veículos de comunicação da "organização terrorista Irmandade Muçulmana".

O ministério não apresentou nenhuma prova para sustentar as acusações, e o local onde os jornalistas estão detidos não foi informado.

O site negou qualquer vínculo com partidos políticos e afirmou que, desde sua criação em 2018, a Matsadaash mantém uma atuação "baseada na verificação de informações e na correção de declarações enganosas, independentemente de sua origem". 

Especializada em checagem de fatos, a Matsadaash costuma contestar declarações de autoridades e órgãos governamentais. Recentemente, o site publicou uma checagem de declarações do ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, sobre o número de refugiados no país.

Egito tem 26 jornalistas presos

De acordo com a EIPR, o número total de jornalistas presos no Egito por questões relacionadas ao exercício da profissão chegou agora a 26. O Cairo é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão.

Organizações de direitos humanos acusam as autoridades egípcias de manter um grande número de dissidentes detidos por sua opiniões. O governo nega essas acusações e afirma que essas pessoas estão presas por motivos previstos na legislação penal.

Mahmoud Kamel, membro do Sindicato dos Jornalistas Egípcios, afirmou que as novas prisões fazem parte de um "ambiente geral sufocante para as liberdades". "O único crime cometido pelas pessoas presas foi exercer sua profissão de jornalista, realizando pesquisas e análises para revelar a verdade. Esse é o papel fundamental da imprensa", declarou Kamel à AFP nesta quinta-feira.

Com AFP

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