Democratas têm guinada à esquerda nos EUA e veem saúde e tributação de ricos como "essenciais", diz Reuters/Ipsos
Os democratas liberais agora constituem uma clara maioria dentro do partido e consideram saúde universal, maior acesso ao aborto e impostos mais altos para os ricos como posições políticas essenciais, de acordo com uma nova pesquisa da Reuters/Ipsos.
O levantamento ressalta como os democratas se deslocaram para a esquerda nos últimos anos.
Essa constatação surge antes das primárias democratas desta terça-feira, nas quais o médico de esquerda Abdul El-Sayed disputa com a deputada federal moderada Haley Stevens a indicação do partido para concorrer a uma vaga no Senado pelo Estado de Michigan. A vaga é considerada fundamental para as esperanças dos democratas de conquistar a maioria no Senado nas eleições intermediárias de novembro.
A pesquisa de seis dias, concluída na segunda-feira, mostrou que a proporção de democratas que se autodenominam "liberais" subiu de 55% em 2012 para 71%, enquanto a parcela que se considera "conservadora" diminuiu de 33% para 16%.
Cerca de 76% dos democratas liberais afirmaram que aumentar os impostos sobre empresas e bilionários era uma posição política "essencial" para qualquer pessoa que se considere liberal, segundo a pesquisa. Outros 72% disseram o mesmo sobre ampliar o acesso ao aborto, enquanto 71% afirmaram que garantir assistência médica fornecida pelo governo para todos os norte-americanos era uma meta necessária para qualquer liberal.
SÉRIE DE VITÓRIAS
Candidatos de esquerda acumularam este ano uma série de vitórias nas primárias contra democratas mais centristas, muitos dos quais contavam com o apoio da cúpula do partido. Eles foram além da eleição do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, no ano passado, em uma cidade profundamente liberal, para disputar cargos em Estados politicamente mais divididos.
A primária de Michigan é o exemplo mais recente dessa tendência: Stevens conta com o apoio do líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, e de muitos democratas de destaque do Estado, enquanto El-Sayed recebeu o apoio do senador liberal Bernie Sanders, de Vermont.
Assim como Sanders, El-Sayed defende o "Medicare for All", um plano para oferecer seguro público de saúde a todos os norte-americanos e que se tornou um grito de guerra para a esquerda insurgente. Stevens defende o fortalecimento dos subsídios para o seguro de saúde privado.
No vizinho Wisconsin, outro Estado politicamente indeciso, a socialista democrática Francesca Hong parece prestes a conquistar a indicação democrata para o governo estadual, apesar dos esforços dos líderes do partido para promover um candidato mais moderado.
O vencedor em Michigan terá a tarefa de reunificar os eleitores democratas após uma acirrada campanha nas primárias, que muitas vezes foi dominada pelas divergências dos candidatos em relação a Israel.
Stevens defende a continuidade do financiamento militar a Israel e se beneficiou das dezenas de milhões de dólares gastos pelo Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos em apoio à sua campanha. El-Sayed tem sido fortemente crítico em relação a Israel, país que acusa de cometer genocídio em Gaza, e pediu a suspensão de toda a ajuda.
DIVISÕES SOBRE ISRAEL
Apenas 16% dos democratas apoiam o auxílio militar e econômico a Israel, enquanto 57% se opõem a ele, de acordo com a pesquisa da Reuters/Ipsos. Entre os democratas liberais, mais de 80% afirmaram que reduzir ou eliminar esse auxílio era importante ou essencial para qualquer liberal; apenas 18% disseram que não era importante.
Cerca de 89% dos republicanos que responderam à pesquisa se descreveram como conservadores, uma mudança mais modesta em relação aos 82% que se autodenominaram assim na pesquisa de 2012. Apesar de sua quase unanimidade em relação à forma de se descreverem, os republicanos conservadores mostraram-se menos unânimes ao identificar objetivos políticos "essenciais".
Cerca de 56% afirmaram que permitir a entrada de menos imigrantes no país era uma visão essencial para os conservadores, uma meta que tem sido fundamental para a ascensão ao poder e o mandato do presidente Donald Trump. Da mesma forma, apenas 50% dos republicanos conservadores afirmaram que reduzir o tamanho do governo federal era essencial para ser conservador -- uma meta há muito perseguida por autoridades conservadoras.
A pesquisa, realizada online e em todo o país, reuniu respostas de 4.505 adultos norte-americanos e teve uma margem de erro de 2 pontos percentuais para todos os entrevistados e de 3 pontos para democratas liberais e republicanos conservadores.
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