Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA e impõem derrota histórica a Trump
Resultado representa uma mudança significativa no equilíbrio de forças em Washington
O Partido Democrata impôs uma derrota histórica a Donald Trump ao conquistar a maioria no Senado e na Câmara nas eleições de meio de mandato, alcançando sua maior margem legislativa em 30 anos. Impulsionada pela insatisfação com a economia e a política externa, a oposição também venceu governos em redutos republicanos, como Texas e Geórgia. O resultado altera o equilíbrio de forças em Washington, levando Trump a admitir a derrota e a sinalizar disposição para negociar com os adversários.
O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato (midterms), realizadas na terça-feira (3), impondo uma derrota histórica ao presidente republicano Donald Trump.
A chamada "onda azul", inicialmente prevista como uma vitória expressiva da oposição, ganhou proporções ainda maiores, com os democratas também avançando sobre governos estaduais tradicionalmente controlados pelos republicanos.
Com a apuração ainda em andamento, os democratas garantiram 54 das 100 cadeiras do Senado, contra 44 dos republicanos. Duas disputas permanecem indefinidas, no Alasca e no Mississippi.
Na Câmara dos Representantes, a legenda também assegurou a maioria, com 228 cadeiras, ante 139 dos republicanos. Outros 68 assentos ainda aguardam definição.
Segundo a NBC News, os democratas devem conquistar 258 cadeiras na Câmara dos Representantes, sua maior margem em 30 anos.
Isso significaria uma perda de 43 cadeiras para os republicanos, que ficariam com 177. Nas eleições de meio de mandato de 2018, Trump perdeu 42 cadeiras.
Essa marca de 258 cadeiras é a maior alcançada pelos democratas desde 1993, ano em que Bill Clinton assumiu o cargo. Naquela ocasião, os democratas precisavam de apenas 218 cadeiras para obter o controle da Câmara.
O resultado representa uma mudança significativa no equilíbrio de forças em Washington e retira de Trump o controle republicano das duas Casas legislativas, dificultando a aprovação de projetos de interesse do governo.
Entre as vitórias mais expressivas está a de Abdul El-Sayed, eleito senador por Michigan após derrotar o republicano Mike Rogers, segundo projeções da Decision Desk HQ. Ele se tornou o primeiro muçulmano a conquistar uma cadeira no Senado americano.
Os democratas também avançaram em estados tradicionalmente conservadores, conquistando 25 distritos que estavam sob controle republicano na Câmara.
A disputa pelos governos estaduais também registrou resultados históricos. No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o então governador Greg Abbott, encerrando décadas de domínio republicano no estado.
Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms fez história ao se tornar a primeira mulher afro-americana eleita para governar o estado.
Outras vitórias importantes ocorreram em Ohio, onde Amy Acton derrotou Vivek Ramaswamy, e em Iowa, com a eleição de Rob Sand.
Na Califórnia, Xavier Becerra garantiu a permanência no governo estadual, enquanto Jocelyn Benson foi reeleita em Michigan.
Entre os republicanos, Byron Donalds venceu na Flórida e Sarah Huckabee Sanders confirmou sua permanência no governo do Arkansas, reduzindo parcialmente as perdas do partido.
Diante da dimensão da derrota, Trump afirmou que aceitará o resultado e se mostrou disposto a negociar com os adversários políticos.
Em entrevista ao jornal "The New York Times", o presidente declarou estar "absolutamente disposto a aceitar esses resultados" e disse que pretende buscar entendimentos com os democratas.
A postura contrasta com declarações feitas antes da votação, quando o republicano questionou a legitimidade de um eventual resultado desfavorável e afirmou que só reconheceria as eleições caso fossem "limpas".
Pouco depois de admitir a derrota, Trump publicou nas redes sociais a imagem de um boné inspirado no movimento MAGA com a palavra "Veto", acompanhado de uma mensagem na qual sugeriu que o resultado teria sido diferente caso seu nome estivesse nas cédulas.
A derrota também teve repercutiu internacional. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou, em publicação na rede social X, que os americanos disseram "não à guerra", em referência à insatisfação com a política externa de Washington e à guerra no Irã.
Além da oposição ao conflito, o aumento do custo de vida foi apontado como um dos fatores que impulsionaram o avanço democrata.
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