Democracia sem 'lei moral' é 'tirania', diz papa Leão XIV
Pontífice alertou contra 'domínio das elites econômicas'
O papa Leão XIV alertou que uma democracia que não esteja ancorada em uma "lei moral" arrisca se tornar uma "tirania" ou uma "máscara para o domínio das elites".
As declarações estão em uma mensagem enviada aos participantes da sessão plenária da Academia Pontifícia de Ciências Sociais, que teve início nesta terça-feira (14), no Vaticano, enquanto o líder católico cumpre sua viagem à Argélia.
O texto chega poucas horas depois de o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que é católico, ter dito que o Vaticano deveria se ater a "questões morais", na esteira dos ataques sem precedentes do mandatário Donald Trump contra o Papa.
"A doutrina social católica considera o poder não como um fim em si mesmo, mas como um meio voltado ao bem comum. Isso implica que a legitimidade da autoridade não depende da acumulação de força econômica ou tecnológica, mas da sabedoria e da virtude com que é exercida", disse Leão XIV.
Segundo o líder católico, essa sabedoria é "inseparável das virtudes morais, que fortalecem nosso desejo de promover o bem comum". "A democracia permanece saudável, porém, apenas quando enraizada na lei moral e em uma verdadeira visão da pessoa humana. Sem essa base, corre o risco de se tornar uma tirania majoritária ou uma máscara para o domínio de elites econômicas e tecnológicas", acrescentou.
Em sua mensagem, o Papa também alertou que uma "ordem internacional justa e estável" não pode ser fruto de uma "lógica meramente tecnocrática" e que a concentração de poder tecnológico, econômico e militar em poucas mãos "ameaça tanto a participação democrática entre os povos quanto a concórdia internacional".
Além disso, pediu a "construção de uma cultura global de reconciliação e paz", que seja "fruto da justiça, nascida da autoridade colocada humildemente a serviço de cada ser humano".