Cubanos lideram pedidos de refúgio no Brasil em 2025 e superam venezuelanos
Brasil registra 75,5 mil pedidos de refúgio em 2025, com cubanos respondendo por mais da metade do total
Em 2025, o Brasil registrou uma mudança no perfil das solicitações de refúgio, com os cubanos assumindo a liderança do ranking e ultrapassando os venezuelanos. Ao todo, foram 75.599 pedidos de refúgio no País no ano passado, dos quais 41.919 vieram de cidadãos de Cuba -- o equivalente a 55,4% do total -- segundo dados do relatório Refúgio em Números, divulgado nesta segunda-feira, 22, pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça.
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O volume geral de solicitações cresceu 10,9% em relação ao ano anterior, configurando o terceiro maior patamar da série histórica, atrás apenas dos anos de 2018 e 2019. O levantamento aponta ainda que a maioria dos pedidos é feita por homens em idade produtiva, perfil predominante entre os solicitantes de proteção internacional no País.
Entre os venezuelanos, que lideraram o ranking por vários anos consecutivos, houve uma queda de cerca de 20% nas solicitações, totalizando 21.233 pedidos em 2025. Ainda que o país continue enfrentando uma crise econômica prolongada, o relatório observa mudanças recentes no cenário político e nas condições de mobilidade na Venezuela, o que pode ter influenciado a redução.
Na sequência aparecem os colombianos, com 1.432 solicitações, seguidos por cidadãos de Angola (1.253), Marrocos (888) e Gana (792), todos com números bem inferiores aos dois principais grupos.
O refúgio é um mecanismo de proteção internacional destinado a pessoas que deixam seus países de origem por situações de risco, como guerras, perseguições ou crises humanitárias. Ao reconhecer esse status, o país de acolhimento garante direitos básicos como acesso ao trabalho, saúde, educação e documentação, além de impedir a devolução do solicitante ao território onde sua vida ou liberdade possam estar ameaçadas.
Cuba lidera pedidos e crise se aprofunda
A forte alta nas solicitações de refúgio feitas por cubanos reflete o aprofundamento da crise de abastecimento e o empobrecimento da população, em meio a uma economia fragilizada há décadas. A situação, que se arrasta desde o fim da União Soviética, ganhou novos contornos e atingiu níveis mais críticos recentemente.
A dependência energética cubana em relação ao petróleo importado, sobretudo da Venezuela, ajuda a explicar a deterioração do cenário. Em janeiro, após a entrada de militares dos Estados Unidos em Caracas e a captura do então presidente Nicolás Maduro, o governo de Donald Trump passou a influenciar o fluxo do petróleo venezuelano e interrompeu o fornecimento destinado a Cuba.
Sem acesso ao principal insumo para geração de energia, o sistema elétrico da ilha entrou em colapso, já que a produção interna supre menos da metade da demanda nacional. Como consequência, apagões que já eram comuns passaram a se estender por até 20 horas diárias.
Diante da escalada da crise e da pressão externa, o governo norte-americano também intensificou ameaças de ações militares contra Cuba e defende uma mudança de regime no país, atualmente sob um sistema de partido único. Em resposta ao cenário de instabilidade, o Parlamento cubano aprovou recentemente um pacote de reformas econômicas.
Venezuela passa por novo arranjo político
Na sequência do ranking de solicitações de refúgio aparece a Venezuela, com 21.233 pedidos em 2025. Embora o país siga enfrentando uma crise econômica prolongada, marcada por mais de uma década de racionamento de alimentos, o cenário político recente passou por mudanças.
A transição no comando do país ocorreu após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, quando o poder foi transferido de forma interina para Delcy Rodríguez. Apesar de ter sido aliada do ex-presidente, ela passou a adotar uma postura de aproximação com o governo norte-americano e firmou acordos com a gestão de Donald Trump.
Esse conjunto de mudanças políticas e negociações internacionais tem sido apontado como um dos elementos que ajudam a explicar a redução no número de pedidos de refúgio. Segundo levantamento recente da Acnur, agência da ONU para refugiados, cerca de um terço dos venezuelanos que vivem atualmente em outros países da América Latina considera retornar à Venezuela caso haja melhora nas condições de emprego e segurança, independentemente de uma mudança definitiva no governo.
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