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Crianças latino-americanas caíram no buraco negro da educação durante a pandemia

24 jun 2022 - 18h52
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Na cidade boliviana de La Paz, os filhos de Maribel Sánchez passaram grande parte dos últimos dois anos debruçados sobre a pequena tela de um smartphone para assistir a aulas online, durante um longo lockdown causado pela pandemia de coronavírus.

Os dois meninos, com 11 e 8 anos, muitas vezes perderam aulas quando o calendário coincidia porque a família não tinha computador. Crianças bolivianas finalmente retornaram às aulas presenciais em março deste ano, muitas ainda em meio período.

Uma história que ressoa em toda a América Latina, do México ao Brasil.

A região tem um dos piores registros de fechamento de escolas do planeta, segundo relatório do Banco Mundial que mostra que as crianças encararam quase 60 semanas de escolas fechadas, total ou parcialmente, entre março de 2020 e março deste ano.

Fica atrás apenas do Sul da Ásia e é duas vezes a taxa de Europa, Ásia Central e Oriental, África Subsaariana ou dos países do Pacífico. Na América do Norte, houve longos fechamentos parciais, mas apenas sete semanas de portas totalmente fechadas, contra 29 na América Latina e no Caribe.

Isso representa o risco de um retrocesso de uma década para as crianças da região, segundo alguns especialistas, em termos de níveis de educação, o que pesa sobre a renda e perspectivas de emprego nos próximos anos.

"Com aulas virtuais, os meninos não aprenderam nada. Eles ficavam distraídos. Meu filho, que está na primeira série, não aprendeu nada. Nada!", disse Sánchez, esperando para buscar o filho no lado de fora de uma escola em La Paz.

Emanuela di Gropello, pesquisadora do Banco Mundial, disse que crianças na América Latina sofrerão um declínio de 12% em salários durante a vida por causa das discrepâncias de educação durante a pandemia.

"Esses jovens chegando ao mercado de trabalho basicamente terão um declínio de longo prazo em salários", disse.

Na Argentina, Mercedes Porto, da Fundação Cimientos, que trabalha com jovens, afirmou que o sistema escolar "perdeu" uma parcela de estudante porque 1 milhão de jovens não retornaram às escolas após o período de aulas virtuais.

Andrés Uzin Pacheco, especialista em educação e diretor acadêmico de uma faculdade de negócios em La Paz, disse que o impacto seria duradouro e severo.

"Esta geração sofrerá as consequências, não apenas por cinco anos, mas pelos próximos 20 ou 30 anos, o que implica toda sua educação, mesmo na universidade, e sua vida profissional", disse.

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